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Queda de Flávio Bolsonaro em pesquisa leva caso ao TSE

O senador Flávio Bolsonaro decidiu recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral após a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg apontar queda significativa de sua pré-candidatura à Presidência da República. O levantamento, publicado nesta terça-feira, mostrou avanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto tanto no primeiro quanto no segundo turno, ampliando a diferença entre os dois nomes no cenário nacional. A reação do Partido Liberal ocorreu poucas horas depois da repercussão dos números e elevou ainda mais a tensão política em torno da corrida eleitoral de 2026.

Segundo os dados apresentados pela pesquisa, Lula aparece com 47% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro soma 34,3%. O restante do eleitorado se divide entre outros pré-candidatos, como Renan Santos, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Aldo Rebelo. O levantamento também revelou um cenário mais confortável para o petista em uma eventual disputa de segundo turno. Nesse caso, Lula teria 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro, uma diferença considerada relevante diante do empate técnico observado em levantamentos anteriores.

O dado que mais chamou atenção nos bastidores políticos foi justamente a queda do senador bolsonarista em comparação à pesquisa divulgada no mês de abril. Na ocasião, Flávio aparecia numericamente à frente de Lula no segundo turno, ainda que dentro da margem de erro. Agora, o cenário se inverteu completamente. A mudança aconteceu em meio à repercussão das conversas vazadas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, assunto que passou a dominar o debate político nos últimos dias.

De acordo com a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, a grande maioria dos entrevistados afirmou ter tomado conhecimento do conteúdo divulgado envolvendo o senador e o empresário. O levantamento mostrou que 95,6% dos participantes disseram estar cientes do vazamento das conversas. Além disso, 65,2% afirmaram não terem se surpreendido com as revelações. Para 45,1% dos entrevistados, o episódio enfraqueceu de forma significativa a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reação do PL veio em tom duro contra o instituto responsável pelo levantamento. Em nota, o partido alegou que a metodologia utilizada teria sido construída de maneira a induzir respostas negativas contra Flávio Bolsonaro. A legenda questiona especialmente a sequência das perguntas apresentadas aos entrevistados e afirma que a associação entre o senador e Daniel Vorcaro teria comprometido a neutralidade esperada de uma pesquisa eleitoral. O partido também sustenta que o formato do questionário teria “contaminado” a percepção dos participantes.

Além de pedir esclarecimentos ao TSE, a representação apresentada pelo partido solicita investigação sobre possível prática de crime eleitoral. O PL argumenta que haveria risco de divulgação de levantamento supostamente fraudulento e aponta o que chamou de “precedente manipulativo grave”. A ofensiva jurídica busca não apenas contestar os resultados divulgados, mas também colocar em debate os critérios utilizados por institutos de pesquisa em meio ao ambiente eleitoral cada vez mais polarizado.

Nos bastidores políticos, aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a repercussão negativa do caso envolvendo Daniel Vorcaro atingiu diretamente a imagem do senador junto ao eleitorado moderado. O episódio ganhou força nacional após a divulgação de conversas em que o parlamentar cobraria recursos financeiros para a produção do filme “Dark Horse”, obra baseada na trajetória política de Jair Bolsonaro. Desde então, adversários políticos passaram a explorar o tema intensamente nas redes sociais e em entrevistas públicas.

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio com 5.032 entrevistados em todo o país. O levantamento possui nível de confiança de 95% e margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos. O registro oficial no TSE foi feito sob o número BR-06939/2026. Enquanto o embate jurídico avança na Justiça Eleitoral, os números divulgados pela AtlasIntel aumentam a pressão sobre a campanha de Flávio Bolsonaro, que agora tenta conter os danos políticos causados pela crise envolvendo o caso Banco Master.

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