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Direita reage em clima de festa com Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro

A convocação de Neymar Jr. para a Copa do Mundo de 2026 ultrapassou rapidamente o universo esportivo e ganhou forte repercussão política nas redes sociais nesta segunda-feira (18). Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro aproveitaram o retorno do atacante à Seleção Brasileira para reforçar discursos ligados ao campo conservador e associar a imagem do jogador ao bolsonarismo, movimento que reacendeu debates sobre a mistura entre futebol, celebridades e política no Brasil.

Entre os primeiros a se manifestar estiveram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ambos comemoraram publicamente a convocação do atacante feita pelo técnico Carlo Ancelotti e transformaram o assunto em uma vitrine política em meio ao cenário eleitoral de 2026.

Eduardo Bolsonaro utilizou as redes sociais para publicar uma mensagem em tom político logo após a confirmação do nome de Neymar na lista da Seleção Brasileira. Sem citar diretamente adversários, o parlamentar afirmou que “a alegria venceu a perseguição” e acrescentou que “em outubro ocorrerá de novo”, em referência ao atual cenário eleitoral envolvendo a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A postagem repercutiu entre apoiadores do bolsonarismo, que passaram a relacionar a convocação do jogador com a narrativa de resistência política adotada pelo grupo conservador.

Flávio Bolsonaro também entrou na onda de comemorações. O senador compartilhou uma foto ao lado de Neymar e escreveu que já esperava pela convocação do atacante. Na publicação, Flávio afirmou acreditar na conquista do hexacampeonato mundial com o retorno do craque à equipe nacional. O tom da postagem foi mais esportivo, mas acabou igualmente sendo interpretado como parte da estratégia de aproximação entre o bolsonarismo e figuras populares do entretenimento e do futebol.

A relação entre Neymar e o campo político conservador não começou agora. Durante as eleições presidenciais de 2022, o jogador declarou apoio público a Jair Bolsonaro e participou de ações digitais da campanha do então presidente. Em uma das ocasiões mais comentadas, Neymar apareceu cantando jingles eleitorais e divulgando mensagens favoráveis ao ex-chefe do Executivo em seus perfis nas redes sociais. Desde então, o atacante passou a ser frequentemente associado à direita brasileira e, principalmente, ao eleitorado bolsonarista.

Nos últimos meses, a discussão sobre a presença de Neymar na Copa do Mundo também se transformou em tema político. Parlamentares conservadores intensificaram manifestações públicas defendendo a convocação do atacante, mesmo diante das dúvidas levantadas por parte da imprensa esportiva sobre sua condição física após uma sequência de lesões. O debate saiu dos gramados e passou a ocupar espaço em discursos ideológicos, ampliando ainda mais a polarização em torno da imagem do atleta.

Horas antes do anúncio oficial da lista de convocados, o Partido Liberal publicou um vídeo criado com inteligência artificial em que Flávio Bolsonaro aparecia vestido com o uniforme da Seleção Brasileira. A legenda usada pela legenda chamou atenção ao afirmar que “Flávio é Neymar. Neymar é Flávio”. A publicação viralizou rapidamente entre apoiadores e críticos do grupo político, gerando uma onda de comentários nas plataformas digitais.

Outro nome da direita que comentou a convocação foi o deputado Nikolas Ferreira. O parlamentar republicou uma postagem antiga de Neymar com a frase “Deus é TOP”, acompanhada de emojis da bandeira do Brasil e coração verde e amarelo. A interação reforçou a aproximação simbólica entre o atacante e figuras influentes do bolsonarismo, especialmente nas redes sociais, onde o jogador mantém enorme alcance entre o público jovem.

Enquanto aliados comemoravam, críticos passaram a apontar o uso político da imagem do atleta como uma tentativa de ampliar engajamento popular em um momento delicado para setores da direita. O entorno de Flávio Bolsonaro enfrenta desgaste político após recentes polêmicas envolvendo o caso Banco Master e os áudios divulgados com o banqueiro Daniel Vorcaro. Nesse cenário, a repercussão da convocação de Neymar acabou funcionando como um respiro positivo para apoiadores do senador.

A Copa do Mundo de 2026 será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho, com partidas disputadas nos Estados Unidos, México e Canadá. A expectativa em torno da Seleção Brasileira é alta, principalmente após a confirmação de Carlo Ancelotti no comando técnico da equipe. Neymar, que retorna após período de recuperação física, deve ser uma das principais apostas brasileiras para a busca do tão aguardado hexacampeonato.

Mas, antes mesmo de a bola rolar, ficou claro que o camisa 10 continuará ocupando espaço não apenas nas manchetes esportivas, mas também no centro das disputas políticas e ideológicas do país. No Brasil, futebol e política seguem jogando no mesmo estádio — e às vezes no mesmo ataque.

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