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Flávio Bolsonaro sobe o tom contra governo e STF: ‘quem tinha que estar preso está comandando o Brasil’

O senador Flávio Bolsonaro voltou a elevar o tom do discurso político neste sábado, durante um evento em Sorocaba, onde participou de um encontro de apoio à pré-candidatura de Guilherme Derrite ao Senado por São Paulo. Em um cenário já marcado por forte polarização nacional, a fala do parlamentar reforçou o clima de disputa antecipada para as eleições presidenciais de 2026.

Durante o evento, Flávio fez críticas duras ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que o país vive uma inversão de valores políticos. Em uma das frases que mais repercutiram entre apoiadores e adversários, declarou que “quem tinha que estar preso está comandando o Brasil”, em referência direta ao atual chefe do Executivo. A declaração rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e ampliou o debate sobre o tom adotado por lideranças da oposição.

O encontro em Sorocaba ocorreu um dia após outro evento semelhante em Campinas, onde Flávio já havia direcionado críticas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal. O senador tem intensificado sua presença em agendas públicas no interior paulista, o que é interpretado por aliados como parte da estratégia para consolidar sua imagem como possível candidato do PL ao Palácio do Planalto.

No discurso deste sábado, o senador também mencionou a Polícia Federal, acusando o governo de interferência em investigações. Ao citar episódios recentes envolvendo o INSS, Flávio associou a gestão federal a denúncias sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados, tema que já vinha sendo explorado por parlamentares da oposição. A fala buscou conectar o desgaste administrativo a uma narrativa de perseguição política, algo que se tornou frequente em discursos de setores bolsonaristas.

Outro momento que chamou atenção foi a crítica à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Após ouvir relatos de famílias que aguardam a liberação de um medicamento de alto custo para crianças com distrofia muscular de Duchenne, o senador pediu agilidade no processo de autorização. Ao fazer a cobrança, comparou gastos públicos com a demora para liberar tratamentos considerados urgentes por pacientes e familiares, ampliando o foco do discurso para a área da saúde.

Na segurança pública, Flávio voltou a defender propostas mais rígidas. Citou facções como PCC e Comando Vermelho e afirmou que, se chegar à Presidência, pretende classificá-las como organizações terroristas. A declaração dialoga com a linha política de aliados que defendem endurecimento penal e medidas inspiradas em ações adotadas por Nayib Bukele em El Salvador.

Esse modelo foi mencionado também por Derrite, que após o evento afirmou que o Brasil pode estudar estratégias semelhantes às implementadas em El Salvador, especialmente no combate ao crime organizado. Segundo ele, ampliar vagas no sistema prisional e endurecer a repressão às facções seriam caminhos possíveis dentro de um plano de segurança nacional.

O ato reuniu nomes ligados ao bolsonarismo em São Paulo e evidenciou o movimento de articulação da direita para 2026. Embora o governador Tarcísio de Freitas tenha sido citado como aliado importante, ele não participou da cerimônia. Ainda assim, o evento mostrou que a pré-campanha já começou nos bastidores e deve intensificar o embate político nos próximos meses.

 

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