Flávio organizou ida de Bolsonaro para assistir documentário na casa de Vorcaro

Novas mensagens mostram tentativa de encontro entre Bolsonaro e Daniel Vorcaro articulada por Flávio
A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ganhou um novo desdobramento nesta quinta-feira, 14 de maio, após a divulgação de mensagens que apontam uma tentativa de articulação para aproximar Jair Bolsonaro do banqueiro em um encontro privado em Brasília. As informações foram publicadas pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, e adicionam novos elementos ao caso que já vinha gerando forte repercussão nos bastidores políticos.
Segundo a reportagem, uma troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda e Daniel Vorcaro revela que Flávio Bolsonaro teria solicitado ajuda para levar o ex-presidente Jair Bolsonaro até a residência do banqueiro para assistir ao documentário A Colisão dos Destinos. O longa, segundo aliados, serviria como uma espécie de referência narrativa para o filme Dark Horse, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro que também está no centro da polêmica envolvendo patrocínios milionários.
As mensagens teriam sido enviadas em 27 de março de 2025. Em uma delas, Thiago Miranda informa diretamente a Vorcaro sobre o pedido. O conteúdo diz: “Flávio e Mário me pediram isso. Querem levar o presidente na sua casa para assistirem juntos com você o documentário”. O “Mário” citado seria o deputado federal Mário Frias, aliado próximo do grupo bolsonarista e figura ligada a projetos audiovisuais com viés conservador.
Após receber a mensagem, Daniel Vorcaro respondeu positivamente e demonstrou disposição para receber Jair Bolsonaro em sua casa. Apesar da sinalização favorável, o encontro não chegou a ocorrer. Ainda assim, a simples existência da articulação aumentou questionamentos sobre o nível de proximidade entre o senador, seu pai e o empresário, especialmente após declarações públicas anteriores em que Flávio minimizou ou negou relações próximas com o banqueiro.
Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou nota oficial confirmando que houve interlocução com Daniel Vorcaro, mas negando qualquer motivação política ou pessoal na tentativa de encontro. Segundo o senador, o único objetivo era buscar investidores privados para financiar o filme Dark Horse, longa sobre a trajetória política e pessoal de Jair Bolsonaro. Flávio afirmou ainda que o documentário seria exibido apenas como material de referência para apresentar parte da narrativa que inspiraria o filme.
Na nota, o senador ressaltou que “não houve exibição privada do documentário na residência de Daniel Vorcaro” e afirmou que não participou da produção, organização ou divulgação de A Colisão dos Destinos. Ele também reforçou que sua relação com Vorcaro teria sido exclusivamente profissional e ligada à captação de recursos para o projeto cinematográfico.
Thiago Miranda, apontado como intermediador da aproximação entre Flávio e Vorcaro, também se manifestou. Em comunicado enviado à imprensa, sua defesa confirmou que a proposta de encontro existiu, mas reiterou que a reunião nunca foi concretizada. Segundo a versão apresentada, a ideia era permitir que o potencial investidor conhecesse melhor as linhas narrativas e o conceito criativo do filme antes de formalizar qualquer compromisso financeiro.
Esse novo episódio ocorre logo após o The Intercept Brasil divulgar áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro cobrando pagamentos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse. Nas gravações, o senador aparece pressionando Daniel Vorcaro em razão de atrasos nos repasses financeiros, mencionando preocupação com parcelas pendentes e impacto negativo no andamento da produção.
Segundo a investigação jornalística, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações vinculadas ao projeto. O contrato total, no entanto, poderia alcançar R$ 134 milhões. Embora não existam confirmações públicas de que todo o valor tenha sido desembolsado, os números chamaram atenção pela dimensão do investimento e pela proximidade temporal com investigações envolvendo o Banco Master.
As novas mensagens reforçam uma narrativa de contato frequente entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, contradizendo declarações dadas anteriormente pelo senador. Em março deste ano, ao ser questionado sobre o banqueiro, Flávio afirmou não conhecê-lo. Posteriormente, admitiu ter contato desde dezembro de 2024, justificando a relação pelo projeto audiovisual.
A sucessão de áudios, mensagens e documentos tem produzido desgaste crescente para o entorno político da família Bolsonaro. Nos bastidores, aliados reconhecem preocupação com possíveis impactos eleitorais e jurídicos decorrentes da exposição do caso. Enquanto isso, opositores ampliam críticas e cobram esclarecimentos sobre a origem e a finalidade dos recursos destinados ao longa.
Com a revelação da tentativa de levar Jair Bolsonaro à casa de Vorcaro, o caso ganha dimensão ainda mais delicada. Mais do que um simples patrocínio cinematográfico, a situação passou a alimentar suspeitas sobre o grau de relação entre empresários, projetos culturais milionários e figuras centrais da política nacional. Em Brasília, um café informal pode virar crise institucional em velocidade olímpica.



