Geral

Pesquisa Datafolha: O governo Lula tem o pior índice de aprovação dos três mandatos

A mais recente pesquisa do Datafolha trouxe novos sinais sobre o humor do eleitor brasileiro em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Realizado entre os dias 7 e 9, o levantamento mostra estabilidade em alguns pontos, mas também revela mudanças sutis que ajudam a entender o momento político do país.

De acordo com os dados, a avaliação negativa da gestão federal permaneceu em 40%. À primeira vista, pode parecer apenas uma repetição do cenário anterior. No entanto, quando se observa a queda na avaliação positiva — que passou de 32% para 29% —, o quadro ganha outra nuance. É uma oscilação pequena, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas que reforça uma tendência de desgaste ao longo dos últimos meses.

Outro dado que chama atenção é o crescimento da parcela que considera o governo “regular”, subindo de 26% para 29%. Esse grupo, muitas vezes silencioso, costuma ser decisivo em momentos eleitorais ou de virada de opinião. Não se trata de aprovação, tampouco de rejeição direta, mas de um sinal de cautela, como quem observa antes de tomar posição definitiva.

Quando o foco se desloca para a aprovação pessoal do presidente, o cenário segue semelhante. A reprovação oscilou de 49% para 51%, enquanto a aprovação recuou de 47% para 45%. Mais uma vez, mudanças discretas, mas consistentes com o movimento identificado na avaliação geral do governo. É como se o eleitor estivesse reavaliando expectativas, ajustando percepções diante da realidade cotidiana.

O retrato fica mais completo ao analisar os recortes por perfil. Entre os mais velhos, Lula mantém índices de aprovação acima da média, alcançando 36%. O mesmo ocorre entre eleitores com menor nível de escolaridade, onde a avaliação positiva chega a 43%, e na região Nordeste, com 41%. Esses números indicam uma base de apoio ainda sólida em segmentos historicamente alinhados ao presidente.

Por outro lado, a avaliação negativa ganha força em grupos específicos. Entre os mais escolarizados, por exemplo, o índice chega a 49%. No Sul do país, também atinge 49%, enquanto entre evangélicos sobe para 52%. O dado mais expressivo aparece entre os que recebem mais de dez salários mínimos, onde a rejeição alcança 58%. Esses recortes ajudam a explicar a polarização que ainda marca o ambiente político brasileiro.

É importante lembrar que a pesquisa ouviu 2.004 eleitores em todo o país e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03770/2026. Isso garante transparência ao processo e permite o acompanhamento público dos dados.

Mais do que números isolados, o levantamento oferece um retrato de um governo que enfrenta desafios típicos de meio de mandato. Há expectativas, cobranças e, sobretudo, diferentes realidades convivendo dentro do mesmo país. Em um cenário econômico e social complexo, pequenas variações podem sinalizar movimentos maiores no horizonte.

No fim das contas, pesquisas como essa funcionam como um termômetro. Não definem o futuro, mas ajudam a entender o presente. E, neste momento, o que elas indicam é um eleitorado atento, dividido e, em muitos casos, ainda em processo de avaliação.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: