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ICE dos EUA prende ex-deputado federal; entenda

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). A informação foi confirmada pela Polícia Federal à GloboNews. Ramagem, que atuou como diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro, é considerado foragido da Justiça brasileira desde setembro de 2025, quando deixou o país de forma clandestina para evitar o cumprimento de pena.

A condenação de Ramagem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ocorreu em setembro de 2025, na Primeira Turma da Corte. Ele foi sentenciado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. A pena, que também resultou na perda de seu mandato parlamentar, refere-se à participação na trama golpista investigada no âmbito dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Antes mesmo do trânsito em julgado da sentença, Ramagem fugiu do Brasil. Segundo investigações da Polícia Federal, ele atravessou a fronteira entre Roraima e a Guiana de forma irregular, sem passar por qualquer controle migratório. De lá, embarcou no aeroporto de Georgetown com destino aos Estados Unidos, utilizando um passaporte diplomático que já estava sob determinação de cancelamento pela Justiça.

A saída clandestina de Ramagem ocorreu no mesmo período em que o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, votava pela condenação. Declarado foragido, o ex-parlamentar estabeleceu-se inicialmente em Miami, na Flórida, e posteriormente mudou-se para Orlando. Ele chegou a prestar depoimento por videoconferência ao Supremo em fevereiro de 2026, o que confirmava sua permanência em solo americano sem detenção até então.

O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição de Ramagem aos Estados Unidos ainda em janeiro de 2026, após o Ministério da Justiça e Segurança Pública encaminhar a documentação pela via diplomática. O processo, que não tem prazo definido para análise pelas autoridades americanas, contava com o apoio de um mandado de prisão preventiva expedido pelo STF e com a possibilidade de inclusão do nome do ex-deputado na lista de difusão vermelha da Interpol.

A prisão pelo ICE, agência responsável pela aplicação das leis de imigração nos Estados Unidos, representa um avanço significativo na cooperação internacional solicitada pelo Brasil. Embora a detenção tenha ocorrido por questões migratórias, ela abre caminho para que o processo de extradição seja acelerado, permitindo que Ramagem seja enviado de volta ao país para cumprir a pena imposta pela Justiça brasileira.

Especialistas em direito internacional avaliam que o desfecho dependerá agora da análise do Departamento de Estado americano e de eventuais recursos da defesa. O caso de Ramagem ilustra os desafios enfrentados pelo Brasil na recuperação de condenados que buscam refúgio no exterior, reforçando a importância dos acordos bilaterais de extradição e da atuação conjunta entre a Polícia Federal e as autoridades estrangeiras.

 

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