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O que é paca? Almoço feito por Janja para Lula na Páscoa

No almoço de Páscoa celebrado no Palácio da Alvorada no último domingo, 5 de abril de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi surpreendido por um prato pouco convencional na mesa presidencial: paca ao molho. A primeira-dama, Janja da Silva, assumiu pessoalmente o preparo da refeição, transformando o evento familiar em um dos assuntos mais comentados do país nas últimas 48 horas. O que deveria ser uma celebração privada rapidamente ganhou contornos públicos, revelando as tensões entre tradições gastronômicas, legislação ambiental e o escrutínio constante sobre a vida do mandatário.

Janja documentou o processo em vídeo nas redes sociais, mostrando a carne marinada por dois dias com alho, ervas finas e temperos selecionados antes de ser cozida lentamente. A primeira-dama destacou o sabor robusto e a textura da paca, um roedor de médio porte nativo das Américas, cuja carne é valorizada em diversas regiões do interior brasileiro por sua suculência. O registro, inicialmente destinado a um público próximo, viralizou e acendeu debates sobre o que é aceitável na mesa de um chefe de Estado em pleno século XXI.

Lula, ao provar o prato, não economizou elogios. Em declarações informais registradas durante a refeição, o presidente classificou a paca como “divina”, reforçando o apreço pela culinária regional e a simplicidade dos sabores do campo. O comentário, captado em áudio e imagem, foi interpretado por apoiadores como demonstração de autenticidade e conexão com o Brasil profundo, mas serviu também de munição para quem via no gesto um descompasso com pautas ambientais defendidas pelo próprio governo.

A origem da carne, segundo Janja, foi um presente oferecido por um produtor rural devidamente autorizado. No Brasil, a criação de paca em cativeiro é permitida desde que o criadouro possua licença do Ibama, garantindo rastreabilidade desde o nascimento do animal até o abate. A primeira-dama enfatizou que não se tratava de caça ilegal, prática proibida por lei e passível de punição, mas de um produto comercializado dentro das normas vigentes para espécies silvestres em regime de manejo sustentável.

Mesmo com a garantia de legalidade, a polêmica ganhou força nas redes sociais e em veículos de oposição. Críticos argumentaram que o consumo de um animal silvestre, ainda que criado legalmente, envia uma mensagem contraditória em um país que enfrenta desmatamento e perda de biodiversidade. A paca, conhecida por suas manchas brancas características e hábitos noturnos, tornou-se símbolo instantâneo de um suposto elitismo gastronômico, com memes e charges circulando em ritmo acelerado.

Ambientalistas e parlamentares da oposição aproveitaram o episódio para questionar a coerência do governo federal. Manifestações surgiram em plataformas digitais, exigindo maior transparência sobre o fornecimento de carnes exóticas a autoridades e alertando para o risco de banalização do consumo de fauna nativa. Do outro lado, defensores do Planalto classificaram as críticas como hipocrisia seletiva, lembrando que a carne de paca é consumida há décadas em festas regionais e faz parte do patrimônio cultural de comunidades rurais.

O caso reacende um debate mais amplo sobre a regulamentação da criação e comercialização de animais silvestres no Brasil. Enquanto especialistas em conservação defendem o manejo sustentável como alternativa econômica à caça predatória, setores conservadores veem na polêmica uma tentativa de criminalizar costumes tradicionais. Com a repercussão ainda em curso, o almoço de Páscoa no Alvorada expõe não apenas os sabores da mesa presidencial, mas as fissuras profundas que dividem o país entre o campo e a cidade, entre tradição e sustentabilidade.

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