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Ex-apoiadora de Bolsonaro, Rosamaria Murtinho defende sua prisão

Aos 93 anos, Rosamaria Murtinho segue desafiando o tempo com a mesma elegância e presença de palco que marcaram sua trajetória. Em cartaz no Rio de Janeiro, a atriz interpreta a icônica Iris Apfel no espetáculo Uma Vida em Cores, uma peça que mistura humor, memória e estilo para contar a história de uma mulher que transformou a própria imagem em marca registrada.

O público que chega ao teatro encontra mais do que uma atuação. Encontra uma artista que parece conversar diretamente com quem está na plateia, com pausas bem colocadas, olhares atentos e uma naturalidade difícil de explicar. Rosamaria não apenas representa Iris Apfel — ela a traduz para o palco brasileiro, com leveza e personalidade.

Durante participação no programa da coluna GENTE, exibido em plataformas digitais e canais de streaming, a atriz abriu espaço para além da arte. Falou sobre política, memória e escolhas pessoais, em um tom franco, sem rodeios. Ao comentar as eleições de 2018, revelou que apoiou Jair Bolsonaro naquele momento, motivada por um desejo de mudança. “A gente queria ver algo diferente”, disse, como quem revisita um pensamento comum a muitos brasileiros na época.

Mas o tempo, como ela mesma pontua, traz revisões. Com serenidade, afirmou que hoje enxerga o cenário de outra forma. Disse que se decepcionou e defendeu que o ex-presidente responda judicialmente por suas ações. Não houve exaltação na fala, mas um tom de quem reflete sobre o passado e tenta compreender o presente. “A gente muda, aprende, revê”, resumiu.

Essa mudança de posicionamento ecoa um sentimento que ainda circula em diferentes camadas da sociedade. Em tempos de debates intensos e polarização, ouvir alguém com quase um século de vida traz uma perspectiva rara. Rosamaria não fala como analista política, mas como cidadã que observa, sente e tira suas próprias conclusões.

O interessante é perceber como essa franqueza também dialoga com sua atuação em Uma Vida em Cores. Iris Apfel, a personagem que interpreta, ficou conhecida justamente por desafiar padrões, ignorar expectativas e assumir suas opiniões sem medo. De certa forma, há um espelho entre atriz e personagem — duas mulheres que, cada uma à sua maneira, construíram trajetórias marcadas pela autenticidade.

Nos bastidores, relatos da equipe indicam que Rosamaria mantém uma rotina disciplinada, com ensaios cuidadosos e atenção aos detalhes. Nada parece improvisado, embora tudo soe espontâneo. Esse equilíbrio talvez seja o segredo de sua longevidade artística.

Enquanto o espetáculo segue em cartaz, atraindo públicos de diferentes idades, a presença de Rosamaria no palco se transforma em um convite à reflexão. Sobre o tempo, sobre escolhas e, principalmente, sobre a capacidade humana de mudar de ideia.

No fim das contas, é isso que fica. Entre figurinos vibrantes e falas bem construídas, o que se vê é uma artista que continua viva — no sentido mais completo da palavra. E que, aos 93 anos, ainda encontra novas formas de se expressar, seja no teatro ou fora dele.

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