Não sou doido, diz Lula sobre “brigar” com Trump

Durante uma visita ao Instituto Butantan, em São Paulo, nesta segunda-feira (9 de fevereiro de 2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre política internacional em tom descontraído, mas com recados bem definidos. Ao comentar a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula disse que não pretende entrar em conflito com o líder norte-americano. Sorrindo, soltou uma frase que rapidamente repercutiu: “Não quero briga com ele, não sou doido. Vai que eu brigo e ganho, o que eu vou fazer?”.
A fala arrancou risos do público presente e mostrou um Lula à vontade, usando o humor como ferramenta política, algo que já virou marca registrada em seus discursos. Em seguida, o presidente fez uma comparação curiosa ao afirmar que, se Trump conhecesse “a sanguinidade de Lampião em um presidente”, talvez não ficasse provocando o Brasil. A declaração, com forte referência cultural nordestina, foi interpretada como uma maneira de reforçar que o país não aceita pressões externas com facilidade.
Apesar do tom brincalhão, o contexto é sério. Trump, ao menos recentemente, não fez declarações públicas sobre o Brasil. Ainda assim, Lula tem citado o republicano em algumas ocasiões. No dia 20 de janeiro, por exemplo, afirmou que Trump “quer governar o mundo pelo Twitter”. Já no último sábado (7), comentou que os problemas da Venezuela devem ser resolvidos pelos próprios venezuelanos, sem interferência dos Estados Unidos ou de qualquer outro país.
A relação entre os dois presidentes deve ganhar novos capítulos em breve. Lula tem viagem prevista para Washington no mês de março, onde deve se encontrar pessoalmente com Trump. Enquanto isso, o petista segue defendendo um posicionamento claro no cenário internacional. Durante o discurso no Butantan, voltou a falar sobre a importância do multilateralismo, destacando que a cooperação entre países é essencial para manter o equilíbrio global. Segundo ele, foi esse modelo de diálogo que ajudou a construir períodos de maior harmonia entre as nações.
No mesmo evento, Lula também comentou a instabilidade do dólar. Para o presidente, a variação da moeda norte-americana não está ligada à seriedade da economia brasileira, mas sim ao “humor de Trump”, reforçando a visão de que decisões e declarações do líder dos EUA têm impacto direto nos mercados internacionais.
Além das falas políticas, a visita ao Instituto Butantan teve um peso importante para a área da saúde. O governo federal assinou um investimento de R$ 1,4 bilhão para ampliar e modernizar a produção de vacinas e soros. Desse total, R$ 1 bilhão virá do Novo PAC, enquanto R$ 400 milhões serão recursos do próprio instituto.
O investimento prevê a construção de uma fábrica de vacina contra o HPV, a modernização da produção com tecnologia de RNA mensageiro, uma nova planta para produção de insumos farmacêuticos ativos, além de reformas em áreas de produção, envase e conservação de soros. Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esse aporte coloca o Butantan entre os maiores centros de inovação industrial do mundo.
O evento também marcou o início da vacinação de profissionais da saúde contra a dengue, com a vacina desenvolvida pelo próprio instituto. Nesta primeira fase, 3,9 milhões de doses já foram adquiridas, com previsão de distribuição em todas as regiões do país.
A cerimônia reuniu diversas autoridades, entre ministros, representantes do governo estadual, dirigentes do Butantan e da Anvisa. Em meio a anúncios técnicos e discursos institucionais, Lula conseguiu misturar política externa, economia e saúde pública, mantendo um tom leve, mas deixando claro que o Brasil quer diálogo, cooperação e protagonismo no cenário global.



