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Presença da esposa de Moraes em caso no STF movimenta bastidores

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, passou a integrar a defesa do empresário do setor de mineração Lucas Kallas em um processo que tramita na própria Corte. A informação provocou reações imediatas nos bastidores jurídicos e políticos de Brasília, especialmente por envolver uma relação direta entre um membro do STF e a atuação profissional de sua cônjuge em um caso de repercussão institucional.

Lucas Kallas é investigado em um inquérito que apura possíveis irregularidades relacionadas a atividades empresariais na área de mineração, com desdobramentos que chegaram ao Supremo por envolverem autoridades com foro privilegiado. A entrada de Viviane Barci de Moraes na equipe de defesa foi formalizada recentemente e consta nos autos do processo, conforme registros do próprio tribunal.

Especialista em direito empresarial e administrativo, Viviane atua há anos na advocacia privada e não possui vínculo formal com o Supremo Tribunal Federal. Ainda assim, a atuação em um caso sob relatoria ou influência direta do ambiente institucional em que seu marido exerce cargo vitalício levantou questionamentos sobre eventuais conflitos de interesse e os limites éticos da atuação profissional de familiares de ministros da Corte.

Integrantes do meio jurídico ouvidos reservadamente avaliam que, do ponto de vista legal, não há impedimento automático para a atuação da advogada. O Estatuto da Advocacia e as normas internas do STF não proíbem expressamente que cônjuges de ministros advoguem em processos na Corte, desde que o magistrado diretamente relacionado se declare impedido de atuar no caso específico.

No Supremo, a praxe em situações semelhantes é a declaração de impedimento do ministro quando há relação direta com advogados que atuam no processo. Até o momento, não houve manifestação pública de Alexandre de Moraes sobre eventual afastamento do julgamento envolvendo Lucas Kallas, tampouco indicação formal de que ele figure como relator ou participante direto das decisões relacionadas ao caso.

A defesa do empresário sustenta que a contratação de Viviane Barci de Moraes ocorreu exclusivamente por critérios técnicos, destacando sua experiência na condução de processos complexos e sua atuação consolidada na área. Segundo interlocutores próximos a Kallas, a estratégia jurídica busca reforçar a linha de defesa diante da gravidade das acusações e da visibilidade do processo no Supremo.

Nos bastidores políticos, o episódio reacendeu discussões sobre transparência, ética e percepção pública do Judiciário. Parlamentares da oposição avaliam explorar o caso como exemplo do que classificam como promiscuidade institucional entre o Supremo e interesses privados, ainda que reconheçam a ausência, até agora, de ilegalidade objetiva.

Aliados do ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, minimizam o episódio e afirmam que a advocacia exercida por sua esposa não pode ser confundida com interferência judicial. O argumento central é que Viviane Barci construiu carreira própria e independente, e que qualquer tentativa de vinculá-la automaticamente às decisões do marido seria uma distorção do funcionamento do sistema jurídico.

O caso deve seguir sob acompanhamento atento tanto da comunidade jurídica quanto do meio político, sobretudo em um momento de sensibilidade institucional do Supremo Tribunal Federal. Mesmo sem violação explícita de normas, a situação expõe novamente o desafio permanente da Corte em equilibrar legalidade, ética e confiança pública em suas decisões.

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