Olha só o que disse o ator Wagner Moura sobre Bolsonaro

A recente repercussão em torno do filme “Marighella”, dirigido por Wagner Moura, reacendeu um debate sensível e atual sobre cultura, política e liberdade de expressão no Brasil. Em entrevista, Wagner e o cineasta Kleber Mendonça Filho trouxeram à tona relatos que chamaram a atenção do público ao apontarem que a obra enfrentou obstáculos significativos para chegar aos cinemas brasileiros. O assunto ganhou força nas redes sociais e em portais de notícias, despertando curiosidade, questionamentos e uma intensa troca de opiniões entre leitores, artistas e especialistas do setor audiovisual.
Segundo os dois artistas, o longa teria sido alvo de um boicote discreto, difícil de identificar e ainda mais complicado de contestar. Kleber Mendonça Filho comparou a situação ao universo do escritor Franz Kafka, especialmente ao romance “O Processo”, no qual um personagem é envolvido em uma acusação sem jamais compreender claramente o motivo. Para o diretor, a ausência de explicações formais cria um cenário de insegurança e frustração, no qual não há espaço para defesa ou diálogo transparente, algo que, segundo ele, marcou o caminho do filme no país.
Wagner Moura relembrou o período com surpresa e incômodo, destacando a sensação de impotência diante do que classificou como um processo confuso. O ator e diretor explicou que o filme, lançado internacionalmente em 2019 e exibido em festivais europeus, só conseguiu chegar ao público brasileiro dois anos depois. Esse intervalo levantou dúvidas sobre os critérios de distribuição e evidenciou as dificuldades enfrentadas por produções nacionais que abordam temas históricos e políticos sensíveis, mesmo quando recebem reconhecimento fora do país.
Além das questões relacionadas ao lançamento do filme, Wagner Moura comentou sobre acusações recentes que circulam nas redes sociais, sugerindo que ele e Kleber teriam recebido recursos financeiros para apoiar o atual governo brasileiro. O ator foi direto ao negar as alegações, classificando-as como ataques infundados. Segundo ele, esse tipo de narrativa busca descredibilizar artistas que se posicionam publicamente, criando um ambiente de desinformação que se espalha com rapidez no meio digital.
Kleber Mendonça Filho também aproveitou a conversa para explicar suas escolhas narrativas em “O Agente Secreto”, projeto no qual Wagner Moura interpreta um professor universitário que enfrenta perseguições políticas. O diretor ressaltou que optou por retratar o período autoritário de forma mais ampla e simbólica, mostrando que esse tipo de regime se expressa não apenas por meio de ações diretas, mas também através do medo, da vigilância e das pressões cotidianas que afetam a vida das pessoas comuns.
Durante a entrevista, Wagner Moura ampliou o debate ao comentar o cenário internacional. O ator afirmou sentir uma pressão constante para evitar críticas a figuras políticas estrangeiras, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ainda assim, deixou claro que não pretende se calar. Para ele, o papel do artista vai além do entretenimento, envolvendo também a responsabilidade de refletir, questionar e participar das discussões que moldam a sociedade contemporânea.
O conjunto dessas declarações evidencia como cinema, política e opinião pública seguem profundamente conectados. Mais do que falar de um único filme, Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho colocam em pauta temas como liberdade criativa, circulação da cultura e o impacto das narrativas digitais. Em um momento em que informações se espalham rapidamente e geram reações imediatas, o debate proposto pelos artistas convida o leitor a refletir sobre os bastidores da produção cultural e sobre o valor do diálogo aberto em uma sociedade democrática.



