Lula defende criação de conselho para Gaza e cobra inclusão de palestinos em comitê de Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou apoio à proposta apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a criação de um conselho internacional responsável por conduzir o processo de pacificação da Faixa de Gaza. Apesar do aval à ideia geral, o chefe do Executivo brasileiro fez críticas diretas à composição do grupo e cobrou a inclusão de representantes palestinos no comitê responsável pelas decisões sobre o futuro do território.
A manifestação de Lula ocorreu durante entrevista concedida à TV Aratu, exibida na sexta-feira, na qual ele afirmou ter tratado do tema diretamente com Trump. Segundo o presidente, não faz sentido discutir a reconstrução e a governança de Gaza sem a participação efetiva do povo palestino no processo decisório, especialmente diante da dimensão humanitária e política do conflito.
Lula afirmou que deixou clara sua posição ao presidente norte-americano ao questionar a ausência de palestinos no chamado “Conselho da Paz”. Para o brasileiro, qualquer iniciativa que busque estabilidade duradoura na região precisa garantir protagonismo à população diretamente afetada pela guerra, sob risco de repetir modelos considerados excludentes ou meramente simbólicos.
Além da composição do conselho, o presidente também criticou a proposta de reconstrução divulgada por aliados de Trump, que prevê uma ampla reestruturação urbanística da Faixa de Gaza. Lula classificou as imagens apresentadas como distantes da realidade social do território e disse que o projeto se assemelha mais a um empreendimento turístico do que a um plano voltado às necessidades básicas da população local.
Segundo o presidente, a apresentação de prédios modernos e áreas de lazer levanta dúvidas sobre quem, de fato, será beneficiado pela reconstrução. Ele questionou quem ficará responsável por garantir moradia digna aos palestinos que perderam suas casas durante o conflito e alertou para o risco de projetos que desconsiderem a dimensão social da crise humanitária.
A declaração ocorre em um momento de forte pressão internacional sobre Israel, que responde a um processo por genocídio na Corte Internacional de Justiça em razão das operações militares realizadas na Faixa de Gaza. O governo brasileiro tem adotado posição crítica à condução da guerra e defende uma solução baseada no direito internacional e na proteção de civis.
Nos últimos meses, Lula tem reiterado a necessidade de uma solução política que envolva diálogo, cessar-fogo permanente e reconhecimento dos direitos do povo palestino. O presidente brasileiro sustenta que iniciativas internacionais sem representatividade local tendem a fracassar e aprofundar tensões já existentes no Oriente Médio.
A defesa da presença palestina no conselho proposto por Trump se insere na estratégia diplomática do Brasil de reforçar o multilateralismo e a legitimidade das instâncias internacionais. O governo brasileiro considera que fóruns de decisão precisam refletir os interesses de todas as partes envolvidas, especialmente em conflitos prolongados e de alta complexidade.
Ao comentar o futuro da Faixa de Gaza, Lula reforçou que a prioridade deve ser a reconstrução com justiça social, respeito à soberania palestina e participação popular. Para o presidente, a paz duradoura não será alcançada por meio de projetos impostos de cima para baixo, mas com inclusão política, reconstrução humanitária e compromisso real com a autodeterminação dos povos.



