PF identifica sete doenças crônicas em laudo sobre Bolsonaro

Um laudo médico elaborado pela Polícia Federal e divulgado nesta sexta-feira (6) aponta que o ex-presidente Jair Bolsonaro é portador de sete doenças crônicas, identificadas após exame clínico detalhado e análise de documentos médicos apresentados à corporação. O parecer foi produzido no contexto da custódia do ex-mandatário e integra os autos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, servindo como subsídio para decisões judiciais futuras relacionadas à sua condição de saúde.
De acordo com a avaliação da PF, apesar da existência de múltiplas comorbidades, não há, neste momento, indicação de necessidade de transferência de Bolsonaro para uma unidade hospitalar. Os peritos consideraram que o quadro clínico atual permite que ele permaneça sob acompanhamento médico regular dentro do sistema prisional, desde que sejam observadas medidas de adaptação e cuidados preventivos específicos, de modo a reduzir riscos à sua integridade física.
O documento lista de forma objetiva as doenças diagnosticadas. Entre elas estão hipertensão arterial sistêmica, síndrome da apneia obstrutiva do sono em grau grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais, também conhecidas como bridas. O conjunto dessas condições caracteriza um perfil clínico que exige atenção contínua, embora, segundo a corporação, esteja atualmente sob controle.
Além das doenças crônicas, o laudo chama atenção para a presença de sinais e sintomas neurológicos, que elevam o risco potencial de novos episódios de queda. Os peritos destacam que esse aspecto demanda investigação médica adicional, a fim de se estabelecer um diagnóstico mais preciso e prevenir agravamentos. Esse ponto foi tratado como um fator de atenção relevante, ainda que não tenha sido considerado emergencial no momento da avaliação.
Como medida preventiva, a Polícia Federal recomendou adaptações estruturais no local onde Bolsonaro se encontra custodiado. Entre elas estão a instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho, bem como de uma campainha de emergência, recursos considerados essenciais para minimizar riscos associados a quedas ou mal-estar súbito. O laudo também sugere acompanhamento nutricional, incentivo à prática regular de atividade física compatível com o quadro clínico e tratamento fisioterápico.
Diante das conclusões do documento, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que tanto a defesa de Bolsonaro quanto a Procuradoria-Geral da República se manifestem no prazo de cinco dias. As manifestações deverão avaliar o conteúdo técnico do laudo e discutir eventuais impactos do estado de saúde do ex-presidente em decisões judiciais futuras, inclusive pedidos relacionados ao regime de custódia.
Atualmente, Jair Bolsonaro está detido na chamada “Papudinha”, unidade localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, para onde foi transferido em janeiro. Antes disso, ele permanecia custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A análise médica agora divulgada passa a integrar oficialmente o processo e será considerada pelo Supremo na condução do caso, reforçando que, apesar das comorbidades, o entendimento técnico atual é de que não há indicação imediata de internação hospitalar.



