Geral

Lula diz que libertar Bolsonaro desmoralizaria o STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que qualquer iniciativa para libertar Jair Bolsonaro representaria uma desmoralização direta do Supremo Tribunal Federal. A declaração foi dada nesta sexta-feira (6), durante entrevista ao programa Alô, Juca, da TV Aratu, enquanto Lula cumpria agenda oficial na Bahia. Para o presidente, decisões judiciais que condenaram envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 precisam ser respeitadas, sob risco de se relativizar a autoridade da mais alta Corte do país.

Ao comentar a possibilidade de derrubada do veto presidencial ao projeto que altera regras de dosimetria das penas — proposta que pode beneficiar Bolsonaro — Lula foi enfático ao afirmar que o ex-presidente deve permanecer preso. “Esse cidadão tem que ficar preso”, declarou. Segundo ele, não é aceitável que uma condenação judicial seja esvaziada por conveniência política ou pressão circunstancial, especialmente em um caso que envolveu tentativa de ruptura institucional.

Lula defendeu que eventuais anistias só podem ser discutidas após um longo período, como ocorreu historicamente em outros momentos do país. “Aí um belo dia, pode ter uma anistia para ele, como teve em 1964, dez ou 15 anos depois. Não dá para você brincar de fazer julgamento”, afirmou. Para o presidente, libertar Bolsonaro agora seria um recado perigoso, pois colocaria em xeque a seriedade do STF e o próprio Estado Democrático de Direito.

Sem citar diretamente o nome do ex-presidente em alguns trechos, Lula utilizou uma metáfora dura para ilustrar sua posição. Comparou Bolsonaro a um “cachorro louco” que, ao ser solto, não se tornaria mais dócil. “Esse cidadão tentou destruir a democracia brasileira”, disse, acrescentando que Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão e que havia, segundo as investigações, planos para assassinar autoridades, incluindo ele próprio, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

O presidente também ressaltou que já cumpriu sua parte institucional ao vetar o projeto e afirmou que qualquer mudança agora recairia exclusivamente sobre o Congresso Nacional. “É problema do Congresso Nacional. Eu fiz a minha parte”, reforçou. Lula disse entender como o texto foi discutido e aprovado pelos parlamentares, mas deixou claro que não concorda com seus efeitos e que, por isso, optou pelo veto.

No campo político, Lula afirmou viver seu melhor momento desde que voltou à Presidência. Disse manter boa relação com parlamentares de diferentes partidos e destacou que não cultiva inimigos. Também comentou sua saúde, afirmando estar fisicamente melhor do que quando assumiu o cargo em 2003, adotando uma rotina regular de exercícios e hábitos mais disciplinados.

Por fim, Lula aproveitou para cobrar engajamento de aliados e apontou que o ano eleitoral será marcado por uma disputa entre “verdade e mentira”. Defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, criticou a política armamentista do governo anterior e afirmou que o país precisa fortalecer as instituições, não enfraquecê-las. Para ele, respeitar decisões judiciais não é uma opção política, mas uma exigência democrática.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: