Lula e Alexandre de Moraes aparecem como alvos em possível fraude no sistema de mandados

Uma investigação em curso conduzida pela Polícia Civil de Goiás apura uma tentativa de fraude envolvendo o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), sistema oficial utilizado pelo Judiciário brasileiro para registrar ordens de prisão em todo o país. O episódio teve como alvos o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Segundo as autoridades, terceiros tentaram inserir de forma irregular documentos falsos no sistema, com o objetivo de simular a existência de mandados de prisão contra ambos.
De acordo com informações confirmadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a fraude foi detectada no mês passado durante procedimentos de monitoramento do banco de dados. Os registros identificados continham documentação forjada e buscavam criar a aparência de decisões judiciais legítimas. No entanto, o CNJ esclareceu que nenhuma ordem de prisão chegou a ser efetivamente expedida, tampouco houve qualquer consequência jurídica real contra Lula ou Alexandre de Moraes.
A operação é liderada pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Goiás, com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais e colaboração da Polícia Civil do Distrito Federal. Até o momento, os investigadores não informaram a prisão de suspeitos, mas diligências seguem em andamento para identificar os responsáveis pelas inserções fraudulentas e mapear a extensão das irregularidades cometidas nos sistemas judiciais.
As apurações indicam que a tentativa de fraude não se limitou ao BNMP. Segundo os investigadores, também foram identificadas manipulações em processos digitais do Tribunal de Justiça de Goiás. Nessas ações, os suspeitos teriam simulado decisões judiciais inexistentes, justamente para conferir aparência de legalidade às informações falsas inseridas nos sistemas oficiais. A estratégia, segundo a polícia, revela conhecimento técnico e planejamento, o que reforça a gravidade do caso.
O episódio reacende a atenção para ataques semelhantes já registrados contra o sistema de Justiça brasileiro. Em janeiro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes foi alvo de uma fraude de grandes proporções, quando o hacker Walter Delgatti Neto invadiu o sistema do CNJ e incluiu dados falsos, entre eles um mandado de prisão em nome do magistrado. Na ocasião, a Polícia Federal identificou e prendeu o responsável, que confessou a invasão.
Delgatti afirmou ter agido a pedido da então deputada federal Carla Zambelli, mediante pagamento aproximado de quarenta mil reais. Embora a parlamentar tenha negado envolvimento à época, as investigações resultaram em denúncia por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Em maio do ano passado, o Supremo Tribunal Federal condenou Zambelli, por unanimidade, a dez anos de prisão em regime fechado, além de multa elevada e perda do mandato parlamentar. Posteriormente, ela deixou o país, foi presa no exterior e renunciou ao cargo.
No caso mais recente, as autoridades reforçam que o sistema judicial dispõe de mecanismos de verificação capazes de impedir a validação automática de documentos fraudulentos, o que evitou consequências mais graves. Ainda assim, o episódio levanta preocupações quanto à segurança cibernética dos sistemas públicos e à necessidade de constante aperfeiçoamento das ferramentas de proteção digital.
As investigações continuam, e a expectativa é de que novas informações sejam divulgadas nos próximos dias, à medida que os órgãos de segurança avançam na identificação dos autores e de eventuais conexões com outros crimes cibernéticos já registrados no país.



