Gonet se reúne com senador do PL para discutir prisão domiciliar de Bolsonaro

O cenário político em Brasília voltou a ganhar novos contornos nesta semana, com movimentações discretas, porém significativas, envolvendo a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira (5), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, recebe o senador Wellington Antonio Fagundes (PL-MT) para uma conversa considerada estratégica. O encontro, previsto para ocorrer no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), tem como pano de fundo o debate sobre possíveis caminhos jurídicos para Bolsonaro, que segue sob custódia da Polícia Federal na capital federal.
Entre os pontos levados à mesa está a possibilidade de concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente, hipótese que voltou a circular nos bastidores após um período em que parecia descartada. Outro tema sensível é a liberação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para se reunir com Bolsonaro. Para aliados, esse contato teria peso político e simbólico, sobretudo em um momento de reorganização da direita após os acontecimentos recentes.
Bolsonaro está detido por decisão judicial relacionada à tentativa de ruptura institucional, e sua situação mobiliza aliados, parlamentares e lideranças partidárias. A defesa do ex-presidente tem adotado uma postura cautelosa, avaliando cada passo antes de formalizar novos pedidos. Ainda assim, as articulações políticas caminham em paralelo, com conversas e sondagens junto a integrantes do Judiciário.
Nos últimos dias, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro intensificou sua atuação. Ela se reuniu com o ministro do STF Gilmar Mendes para tratar do tema e, segundo interlocutores, buscou apresentar argumentos voltados à condição pessoal e de saúde do ex-presidente. A movimentação ganhou reforço com a entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que fez contatos telefônicos com ministros da Suprema Corte. Embora discretas, essas iniciativas mostram uma tentativa coordenada de reabrir canais de diálogo.
De acordo com informações divulgadas pela Jovem Pan, a discussão sobre prisão domiciliar, antes vista como improvável, voltou ao radar. Parlamentares da oposição avaliam que um gesto nesse sentido poderia ajudar a reduzir tensões entre o Legislativo e o Judiciário. A leitura é de que uma solução intermediária teria potencial para “esfriar o clima” político, ainda bastante carregado.
No campo jurídico, um novo pedido foi protocolado pelos advogados de Bolsonaro nesta terça-feira (13), motivado por um incidente ocorrido no último dia 6. O ex-presidente sofreu uma queda dentro da cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Segundo a equipe médica, o diagnóstico foi de traumatismo craniano leve, sem sinais de maior gravidade naquele primeiro momento.
A Polícia Federal prestou os atendimentos iniciais e informou não ter identificado necessidade imediata de encaminhamento hospitalar. Por esse motivo, inicialmente, não houve autorização para a ida ao hospital. Na manhã seguinte, contudo, o ministro Alexandre de Moraes atendeu ao pedido da defesa e liberou Bolsonaro para a realização de exames. Após algumas horas, ele recebeu alta e retornou à unidade da PF.
Enquanto isso, o debate segue aberto. Entre argumentos jurídicos, gestos políticos e conversas reservadas, o caso de Jair Bolsonaro continua no centro das atenções. Mais do que uma discussão sobre medidas cautelares, o tema expõe o delicado equilíbrio entre Justiça, política e estabilidade institucional em um momento sensível da vida pública brasileira.



