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Jair Bolsonaro tem piora na papuda, afirma defesa

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou um novo pedido de prisão domiciliar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando agravamento em seu estado de saúde durante o período de detenção. O documento, apresentado nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, destaca que as condições prisionais teriam contribuído para a deterioração física e emocional do político, justificando a medida por razões humanitárias. Bolsonaro cumpre pena desde 15 de janeiro de 2026 no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, após condenação por tentativa de golpe de Estado.

Os advogados de Bolsonaro argumentam que o ex-presidente, aos 70 anos, enfrenta complicações de saúde preexistentes que se intensificaram na prisão, incluindo problemas respiratórios e estresse psicológico. Eles citam relatórios médicos que apontam para um declínio significativo em sua condição, o que poderia ser aliviado com o cumprimento da pena em regime domiciliar, sob monitoramento eletrônico. Essa solicitação não é a primeira: pedidos semelhantes foram feitos em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, mas foram indeferidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.

O 19º BPM, ou Papudinha, é uma instalação especial dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, reservada para detentos com prerrogativas, como ex-autoridades. Apesar de oferecer condições melhores que celas comuns, a defesa alega que o ambiente ainda é inadequado para alguém com o perfil de saúde de Bolsonaro, expondo-o a riscos desnecessários. A transferência para lá ocorreu por determinação judicial, após insistência da equipe jurídica, que buscava evitar o regime prisional padrão.

O pedido atual ganha relevância em meio a debates sobre o equilíbrio entre justiça penal e direitos humanitários, especialmente para idosos e portadores de comorbidades. Analistas jurídicos observam que o STF tem histórico de conceder benefícios semelhantes em casos análogos, o que poderia influenciar a decisão. No entanto, a relutância de Moraes em flexibilizar as restrições reflete a gravidade das acusações contra Bolsonaro, incluindo conspiração para subverter as instituições democráticas.

Enquanto aguarda resposta do STF, Bolsonaro permanece isolado na Papudinha, com visitas restritas a familiares e advogados. A defesa enfatiza que a prisão domiciliar não representaria impunidade, mas uma adaptação razoável à pena de 27 anos e 3 meses imposta. Críticos, por outro lado, veem a solicitação como uma tentativa de protelar o cumprimento integral da sentença, questionando a veracidade das alegações de saúde.

O caso de Bolsonaro continua a polarizar a opinião pública brasileira, com apoiadores clamando por justiça humanitária e opositores defendendo a rigidez da lei. Articulações políticas nos bastidores do STF, envolvendo ministros como Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques, sugerem que o pedido pode ser discutido em plenário, ampliando o escopo da análise. Independentemente do desfecho, o episódio reforça as tensões entre o Judiciário e o legado do bolsonarismo.

Se concedida, a prisão domiciliar poderia alterar o panorama político, permitindo que Bolsonaro mantenha maior influência sobre seus aliados, mesmo confinado em residência. Por ora, o STF não emitiu posicionamento oficial, deixando o ex-presidente e o país em suspense quanto ao futuro de uma das figuras mais controversas da história recente do Brasil.

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