Vereador recusa R$ 2 milhões e expõe esquema contra Banco Central

O nome do vereador Rony Gabriel (PL-RS) passou a circular com força fora do Rio Grande do Sul nas últimas semanas após uma denúncia que chamou a atenção de autoridades e do público nas redes sociais. O político afirmou ter sido convidado a participar de um esquema milionário envolvendo influenciadores digitais, cujo objetivo seria atacar o Banco Central e defender o Banco Master após a liquidação da instituição financeira. Ao recusar a proposta e tornar o caso público, Rony acabou provocando a abertura de um inquérito pela Polícia Federal.
Segundo o vereador, o esquema era conhecido internamente como “Projeto DV”, uma referência direta ao banqueiro Daniel Vorcaro. A estratégia previa a contratação de influenciadores com grande alcance nas redes sociais, oferecendo contratos que poderiam chegar a até R$ 2 milhões. Em troca, essas figuras públicas deveriam sustentar a narrativa de que a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master teria sido precipitada ou injusta.
O funcionamento da operação, de acordo com a denúncia, era bem estruturado. Os influenciadores receberiam orientações claras sobre o conteúdo a ser divulgado, incluindo a promoção de uma reportagem específica que questionava a atuação do Banco Central. A ideia era simples: repetir o mesmo discurso em diferentes perfis, criando a sensação de consenso e alcançando dezenas de milhões de pessoas. Em um ambiente digital onde opinião e informação muitas vezes se misturam, o impacto poderia ser significativo.
Para entender o peso dessa discussão, é importante explicar o que significa a liquidação de um banco. Trata-se de uma medida extrema, adotada pelo Banco Central quando uma instituição apresenta problemas graves de gestão ou não consegue cumprir suas obrigações financeiras. O objetivo principal é proteger os clientes e preservar a estabilidade do sistema financeiro. No caso do Banco Master, a campanha denunciada buscaria convencer o público de que essa decisão foi exagerada, deslocando o foco das questões técnicas para o campo da opinião pública.
Os desdobramentos começaram rapidamente. A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a atuação coordenada de pelo menos 46 perfis nas redes sociais. Rony Gabriel já declarou que está à disposição para prestar depoimento e apresentar provas. Paralelamente, o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli autorizou a investigação da PF, mantendo parte do processo sob sigilo, o que indica a complexidade e a sensibilidade do assunto.
De acordo com o vereador, o esquema não se restringia apenas a influenciadores digitais. Ele afirma que o Banco Master teria estruturado uma rede de influência mais ampla, com ramificações no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Essa estrutura incluiria contratos formais de consultoria, nomeações estratégicas e outros mecanismos para garantir acesso a autoridades e decisões importantes. Rony sugere que se trata de uma operação de longo prazo, muito maior do que aparenta à primeira vista.
Mas afinal, quem é Rony Gabriel? Vereador em Erechim, no interior do Rio Grande do Sul, ele é pré-candidato a deputado federal e se define como um político conservador. Nas redes sociais, soma quase dois milhões de seguidores, o que naturalmente leva a comparações com nomes como Nikolas Ferreira. A diferença, segundo seus apoiadores, está no estilo: Rony costuma apostar em análises mais longas e detalhadas sobre temas nacionais, fugindo do formato exclusivamente rápido e viral.
O caso segue em investigação e ainda deve render novos capítulos. Enquanto isso, a denúncia levanta um debate importante sobre o uso das redes sociais, o poder da influência digital e os limites entre opinião, interesse econômico e informação pública.



