Geral

Em ação nos EUA, empresa de Trump associa Moraes ao escândalo do master

Em um desenvolvimento surpreendente no cenário jurídico internacional, a Trump Media & Technology Group, empresa controlada pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e responsável pela plataforma Truth Social, intensificou sua ofensiva legal contra o ministro brasileiro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma ação movida na Justiça Federal da Flórida, a companhia associou o magistrado ao escândalo envolvendo o Banco Master, uma instituição financeira liquidada pelo Banco Central do Brasil por graves irregularidades. Essa estratégia visa não apenas contestar decisões judiciais de Moraes relacionadas à moderação de conteúdo em redes sociais, mas também destacar supostos conflitos de interesse que poderiam questionar sua imparcialidade.

A ação judicial, iniciada em fevereiro de 2025 pela Trump Media em parceria com a plataforma de vídeos Rumble, alega que ordens emitidas por Moraes violam a Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão. Especificamente, as empresas contestam bloqueios de contas e remoções de conteúdos em plataformas americanas, impostas em investigações sobre fake news e ameaças à democracia no Brasil. Os advogados argumentam que tais medidas extrapolam a jurisdição brasileira e interferem indevidamente em operações nos Estados Unidos, configurando uma forma de censura transnacional.

Recentemente, em uma petição complementar protocolada no tribunal da Flórida, a Trump Media introduziu referências ao escândalo do Banco Master para reforçar suas alegações. O documento menciona um contrato milionário firmado entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Esse acordo, avaliado em cerca de R$ 129 milhões, foi assinado no início de 2024 e envolve serviços jurídicos prestados ao banco, que na época já enfrentava escrutínio regulatório. A inclusão desse elemento sugere uma tentativa de contextualizar as decisões de Moraes como potencialmente influenciadas por conexões pessoais ou financeiras.

O escândalo do Banco Master ganhou destaque no Brasil após a intervenção do Banco Central, que determinou a liquidação extrajudicial da instituição em meio a acusações de ativos fictícios, transferências irregulares e prejuízos bilionários. O banco, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, teria gerado um rombo estimado em bilhões de reais, afetando o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o Banco de Brasília (BRB), para o qual parte dos ativos foi transferida. Investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público apuram possíveis fraudes, lavagem de dinheiro e conexões com figuras proeminentes do Judiciário e da política, ampliando o debate sobre transparência no sistema financeiro nacional.

No centro da controvérsia está o contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes, que, segundo relatos, abrange assessoria em reestruturações societárias e compliance. Embora a família do ministro negue qualquer irregularidade, afirmando que o acordo é legítimo e anterior a eventuais problemas no banco, críticos veem nisso um possível conflito de interesse. A Trump Media utiliza esse ponto para argumentar que Moraes poderia ter motivações externas em suas decisões judiciais, especialmente aquelas que afetam plataformas digitais alinhadas a visões conservadoras, como a Truth Social.

Essa associação entre um escândalo financeiro brasileiro e uma disputa judicial nos Estados Unidos reflete as tensões crescentes entre soberania nacional e globalização digital. Para a Trump Media, a menção ao Banco Master serve como ferramenta retórica para pressionar o tribunal americano a autorizar notificações alternativas ao ministro, já que tentativas formais via canais diplomáticos têm sido infrutíferas. No Brasil, o caso reacende discussões sobre a independência do Judiciário e a accountability de autoridades, com apoiadores de Moraes defendendo suas ações como necessárias para combater desinformação e extremismo.

Por fim, independentemente do desfecho da ação na Flórida, esse episódio ilustra como figuras políticas e empresariais internacionais podem se entrelaçar em narrativas complexas, influenciando percepções públicas sobre justiça e poder. A estratégia da Trump Media pode não alterar o curso das investigações no Brasil, mas certamente amplifica o escrutínio sobre Alexandre de Moraes, posicionando-o no centro de um debate transatlântico sobre ética, liberdade e governança.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: