Informação de última hora chega sobre estado de saúde de Lula, após passar por cirurgia

Na manhã desta sexta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o hospital em Brasília poucas horas depois de passar por uma cirurgia de catarata no olho esquerdo. A movimentação começou cedo. Por volta das 7h20, Lula chegou ao CBV Hospital de Olhos, na Asa Sul, região central da capital federal. O procedimento estava marcado para as 8h e, antes das 10h30, o presidente já deixava o local, escoltado pelo comboio presidencial, às 10h04, seguindo diretamente para a residência oficial.
Apesar de se tratar de um procedimento considerado comum na medicina, a cirurgia ocorreu de forma bastante discreta. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência optou por não divulgar detalhes técnicos sobre a intervenção nem informações mais precisas sobre o período de recuperação. O silêncio chamou atenção, sobretudo em um momento em que a saúde de figuras públicas costuma ser acompanhada quase em tempo real pelas redes sociais e pelos veículos de imprensa.
A última comunicação oficial havia sido feita ainda na tarde de quinta-feira (29). Na ocasião, o Palácio do Planalto informou apenas que o presidente realizaria exames médicos e passaria por uma cirurgia nesta sexta. Não houve divulgação prévia do local nem do horário exato do procedimento, tampouco um boletim médico após a alta. O tom foi de cautela, algo que, nos bastidores de Brasília, costuma gerar especulações, mesmo quando não há indícios de gravidade.
Não é a primeira vez que Lula enfrenta esse tipo de situação. Em 2020, quando ainda não ocupava a Presidência, ele passou por uma cirurgia de catarata no olho direito. Naquele período, estava intensamente envolvido na campanha do PT nas eleições municipais. Segundo informações divulgadas à época pelo jornal O Globo, o procedimento também foi simples, com alta no mesmo dia e retorno gradual às atividades após cerca de uma semana de repouso. O histórico ajuda a reduzir preocupações, ao menos do ponto de vista médico.
Ainda assim, a cirurgia desta semana teve reflexos diretos na agenda presidencial. Compromissos considerados estratégicos precisaram ser cancelados ou adiados. Na quinta-feira, Lula anunciaria ações do programa Agora Tem Especialistas, uma iniciativa voltada à ampliação do acesso a profissionais da saúde. Já na sexta, estava prevista uma visita a uma unidade odontológica móvel no quilombo Kalunga, em Cavalcante, no interior de Goiás. As duas agendas tinham forte apelo social e político, especialmente em um ano marcado por debates sobre políticas públicas e presença do governo em regiões historicamente esquecidas.
Nos corredores do poder, a avaliação é de que o impacto político tende a ser pequeno, desde que o presidente retome suas atividades nos próximos dias. Cirurgias de catarata são rápidas, com recuperação relativamente tranquila, mas exigem cuidados básicos, como evitar esforço físico e exposição excessiva à luz nos primeiros dias. A expectativa é que Lula mantenha compromissos internos e despachos reservados enquanto se recupera.
O episódio reforça uma característica recorrente do atual governo: a tentativa de equilibrar transparência com discrição. Em tempos de excesso de informação, nem tudo é divulgado nos mínimos detalhes. Para parte do público, isso gera estranhamento; para outros, é apenas uma forma de preservar a normalidade. O fato é que, ao sair do hospital poucas horas após a cirurgia, Lula sinalizou que, ao menos por enquanto, segue firme no comando e pronto para retomar a rotina assim que liberado pela equipe médica.



