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Polícia Federal abre investigação disciplinar contra Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo

A Polícia Federal (PF) abriu um processo administrativo disciplinar contra Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, por acumular faltas não justificadas ao cargo de escrivão na corporação. O procedimento, iniciado pela Corregedoria da PF no Rio de Janeiro, investiga se as ausências configuram abandono de cargo, o que poderia resultar na perda definitiva da posição pública. O caso ganhou repercussão nacional em meio ao contexto político conturbado da família Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro ingressou na PF por meio de concurso público e ocupava o posto de escrivão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. No entanto, desde que foi eleito deputado federal, ele estava licenciado do cargo para exercer o mandato parlamentar. Essa licença permitia que ele se dedicasse integralmente à atividade política sem prejuízo ao serviço público, mas exigia o retorno imediato ao fim do mandato.

O ponto de virada ocorreu em dezembro de 2025, quando a Câmara dos Deputados cassou o mandato de Eduardo por excesso de faltas em sessões plenárias. A decisão veio após ele permanecer nos Estados Unidos por vários meses, desde fevereiro daquele ano, o que gerou críticas de opositores e questionamentos sobre seu compromisso com o cargo eletivo. A cassação foi aprovada por ampla maioria, refletindo tensões internas no Congresso.

Com o término do mandato, a PF emitiu uma determinação formal para que Eduardo se apresentasse ao serviço em janeiro de 2026. Apesar do ato oficial publicado no Diário Oficial da União, ele não compareceu à unidade designada, acumulando mais de 30 dias consecutivos de ausências sem qualquer justificativa apresentada. Essa inatividade prolongada é o cerne da investigação em curso.

O processo administrativo disciplinar sumário segue os ritos previstos na legislação federal para servidores públicos. Ele permite uma apuração ágil, com prazos curtos para defesa e análise de provas. A Corregedoria da PF no Rio de Janeiro é responsável pela condução, garantindo que o procedimento respeite o contraditório e a ampla defesa, princípios constitucionais.

Caso seja comprovado o abandono de cargo, Eduardo Bolsonaro pode enfrentar a demissão, o que o impediria de concorrer a cargos públicos por um período determinado pela lei. Além disso, a penalidade afetaria sua carreira na PF, onde ingressou há anos, e poderia impactar sua imagem política, especialmente considerando sua influência no espectro conservador brasileiro.

O episódio adiciona mais um capítulo às controvérsias envolvendo a família Bolsonaro, que tem enfrentado escrutínios judiciais e administrativos desde o fim do governo de Jair Bolsonaro. Enquanto o processo segue em andamento, sem data definida para conclusão, ele destaca a importância da accountability para figuras públicas, independentemente de seu sobrenome ou histórico político.

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