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Bolsonaro quer visita de Nikolas Ferreira e outros aliados na Papudinha

O noticiário político de Brasília ganhou mais um capítulo nesta semana, daqueles que rapidamente saem dos corredores do poder e tomam conta das conversas em grupos de WhatsApp, redes sociais e mesas de café. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para receber visitas na chamada “Papudinha”, como é conhecido o Complexo Penitenciário da Papuda, onde ele se encontra detido. O pedido foi protocolado pela defesa do ex-mandatário na sexta-feira, dia 30, e aguarda análise do ministro Alexandre de Moraes.

A solicitação não passou despercebida. Em um momento de alta tensão política e jurídica no país, cada movimento envolvendo Bolsonaro é acompanhado de perto por aliados, adversários e pela opinião pública. Desta vez, o foco não está em discursos ou entrevistas, mas na tentativa de manter contato direto com figuras importantes do seu campo político.

Entre os nomes indicados pela defesa para realizar visitas estão parlamentares bastante conhecidos do eleitorado conservador. A lista inclui o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos rostos mais ativos nas redes sociais; o senador Carlos Portinho (PL-RJ); o senador Bruno Bonetti (PL-RJ); e o deputado federal Sanderson (PL-RS). Todos são aliados políticos e, em maior ou menor grau, têm histórico de defesa pública do ex-presidente.

O pedido, no entanto, acontece logo após uma negativa importante. Na quinta-feira, dia 29, a defesa de Bolsonaro já havia solicitado autorização para visitas do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e do senador Magno Malta (ES). Ambos tiveram os pedidos recusados pelo ministro Alexandre de Moraes. A decisão chamou atenção não só pelo conteúdo, mas pelo tom técnico utilizado para justificar a negativa.

No despacho, Moraes citou riscos às investigações em curso envolvendo Valdemar Costa Neto, especialmente no contexto da apuração sobre a suposta tentativa de ruptura institucional. Já em relação a Magno Malta, o ministro mencionou registros de incidentes disciplinares, incluindo uma tentativa de ingresso na unidade prisional sem autorização prévia, o que pesou contra a liberação da visita.

Esse histórico recente lança dúvidas sobre o novo pedido. Embora os nomes agora apresentados não estejam diretamente citados em investigações semelhantes, o Supremo tem adotado uma postura cautelosa em relação a qualquer movimentação que possa ser interpretada como interferência política ou tentativa de articulação fora dos limites legais.

Até o fechamento desta nota, Alexandre de Moraes ainda não havia se manifestado sobre a nova solicitação da defesa de Bolsonaro. Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão pode levar em conta não apenas quem são os visitantes, mas também o contexto geral do processo e o momento sensível das investigações.

Enquanto isso, aliados do ex-presidente afirmam que as visitas teriam caráter pessoal e institucional, sem qualquer intenção de mobilização política. Críticos, por outro lado, veem a tentativa como mais um movimento estratégico para manter Bolsonaro no centro do debate público, mesmo fora da cena política tradicional.

O fato é que, em Brasília, até pedidos de visita ganham peso político. E, como tem sido comum nos últimos anos, qualquer decisão do STF envolvendo Jair Bolsonaro tende a repercutir muito além das paredes do tribunal. Agora, resta aguardar a resposta do ministro e observar os próximos desdobramentos desse episódio que, certamente, ainda renderá novas discussões.

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