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Deputado acusa Nikolas de fazer ‘palanque’ com morte do cão Orelha

O debate político brasileiro ganhou mais um capítulo tenso nesta quinta-feira, 29 de janeiro, após uma troca pública de críticas envolvendo dois deputados de campos opostos. O deputado estadual Guilherme Cortez (Psol-SP) reagiu de forma dura a uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que comentou a morte do cachorro comunitário Orelha para defender a redução da maioridade penal.

A manifestação de Cortez ocorreu na rede social X, onde ele criticou o que classificou como uso político de um episódio que comoveu o país. Para o parlamentar paulista, o vídeo divulgado por Nikolas ultrapassou limites ao transformar um caso sensível em argumento ideológico. Em tom indignado, Cortez afirmou que nunca teve grandes expectativas em relação ao colega, mas que utilizar a morte de um animal como palanque político representava um nível ainda mais preocupante de insensibilidade.

A crítica faz referência direta a um vídeo publicado por Nikolas Ferreira, no qual ele comenta o caso de Orelha, um cão sem raça definida, com cerca de dez anos, que vivia na Praia Brava, em Santa Catarina. Conhecido por moradores e comerciantes da região, o animal era cuidado coletivamente e fazia parte da rotina local. O desaparecimento e a posterior localização do cachorro, em estado grave, geraram forte comoção.

Devido à gravidade das lesões, Orelha precisou passar por um procedimento veterinário para interromper o sofrimento. A Polícia Civil de Santa Catarina apontou quatro adolescentes como suspeitos de envolvimento no ato infracional de maus-tratos, com base em imagens de câmeras de segurança e depoimentos colhidos durante a investigação. O inquérito também apura um segundo episódio atribuído ao mesmo grupo, envolvendo outro cachorro da região.

No vídeo que provocou a reação de Cortez, Nikolas afirma que o caso deveria, sim, ter ampla repercussão. Para ele, atos de violência contra animais seriam um indicativo de comportamentos mais graves no futuro. A partir dessa leitura, o deputado federal direciona o discurso para a discussão sobre a legislação penal e a responsabilização de adolescentes.

Nikolas estabelece uma contraposição entre o que chama de visões da esquerda e da direita. Segundo ele, setores progressistas tenderiam a enxergar os adolescentes apenas como vítimas do contexto social, defendendo a aplicação integral do Estatuto da Criança e do Adolescente. Já sua posição se ancora em uma linha mais rígida, que defende punições mais severas para jovens envolvidos em atos graves.

Em seu argumento, o parlamentar sustenta que adolescentes que já possuem direitos políticos, como o voto, deveriam também responder de forma mais dura por suas ações. Algumas declarações feitas no vídeo, no entanto, foram amplamente criticadas por adotarem um tom considerado excessivo, o que acabou ampliando a repercussão negativa nas redes sociais.

A resposta de Guilherme Cortez se insere justamente nesse ponto. Para ele, a discussão sobre segurança pública e legislação penal não pode ser conduzida a partir da exploração do sofrimento alheio, especialmente quando envolve um caso em investigação e menores de idade protegidos por lei. O deputado também relembrou outros episódios recentes envolvendo declarações polêmicas do colega, reforçando sua crítica ao estilo adotado.

O embate expõe mais uma vez como episódios de forte apelo emocional acabam rapidamente absorvidos pelo jogo político. Enquanto parte da sociedade cobra respostas firmes do Estado, outra parcela alerta para os riscos de simplificações e discursos inflamados. No centro dessa disputa, o caso de Orelha segue sendo símbolo de como temas sensíveis podem acirrar divisões e ampliar debates que vão muito além do fato inicial.

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