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Michelle entra em atrito com Eduardo Bolsonaro por causa de uma deputada

As disputas internas fazem parte da rotina dos partidos políticos, mas, em alguns momentos, elas ganham contornos mais visíveis e passam a ser acompanhadas de perto por quem observa o cenário nacional. É o que vem acontecendo no Partido Liberal (PL), onde um desacordo envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro tem chamado atenção nos bastidores. O ponto central da divergência é a escolha do nome que representará a legenda na disputa por uma vaga ao Senado por São Paulo.

De um lado, Michelle Bolsonaro tem defendido abertamente a pré-candidatura da deputada federal Rosana Valle. A posição não é recente e vem sendo reiterada em conversas internas e em agendas públicas ligadas ao partido. Do outro, Eduardo Bolsonaro, que por anos foi tratado como o nome natural do grupo para a disputa, vê seu espaço encolher em meio a mudanças no cenário político e jurídico.

Antes de se mudar para os Estados Unidos, Eduardo era considerado o principal postulante à vaga. No entanto, sua saída do país e o fato de passar a responder a uma investigação no Supremo Tribunal Federal por suposta obstrução de Justiça alteraram os planos do PL em São Paulo. A ausência física e as incertezas em torno de sua situação acabaram abrindo espaço para novas articulações dentro da legenda.

Diante desse contexto, Eduardo passou a trabalhar nos bastidores pela indicação de aliados próximos. Entre os nomes defendidos por ele estão o deputado estadual Gil Diniz, figura conhecida por sua proximidade política e ideológica com o parlamentar. Além dele, também surgem como opções o deputado estadual Paulo Mansur e os deputados federais Marco Feliciano e Mario Frias, todos filiados ao PL e com atuação destacada junto ao eleitorado conservador.

Michelle Bolsonaro, por sua vez, segue firme no apoio a Rosana Valle. A relação entre as duas se estreitou ao longo do último ano, principalmente por meio do PL Mulher, iniciativa criada para fortalecer a participação feminina no partido. Michelle ocupa a presidência nacional do projeto, enquanto Rosana é a presidente estadual em São Paulo, o que fortaleceu a parceria política e a afinidade entre ambas.

Esse alinhamento tem peso estratégico. Nos bastidores, aliados avaliam que Michelle busca consolidar uma imagem de liderança própria dentro do partido, indo além do papel tradicionalmente atribuído a ex-primeiras-damas. A defesa de Rosana Valle, nesse sentido, seria também uma forma de marcar posição e influenciar diretamente os rumos do PL em um dos estados mais importantes do país.

Enquanto isso, a indefinição segue. A escolha do nome que disputará o Senado ainda depende de negociações internas, pesquisas eleitorais e, principalmente, de consensos que hoje parecem distantes. O PL vive um momento de reorganização, tentando equilibrar interesses de diferentes grupos e lideranças que ganharam força nos últimos anos.

O episódio expõe como as decisões partidárias vão muito além de anúncios oficiais. Elas passam por conversas reservadas, disputas silenciosas e alianças construídas com cuidado. No caso do PL em São Paulo, a disputa pela vaga ao Senado virou um termômetro das forças internas e mostra que, mesmo dentro de um mesmo campo político, há visões distintas sobre estratégia e futuro.

Com o calendário eleitoral se aproximando, a tendência é que a pressão por uma definição aumente. Até lá, o debate continua nos bastidores, acompanhado com atenção por aliados, adversários e eleitores que observam os próximos passos de uma legenda que segue no centro das discussões políticas nacionais.

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