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Em alucinação, Adélio Bispo revela desejo de disputar a eleição com Bonner como vice

Adélio Bispo de Oliveira, o homem responsável pelo atentado à faca contra o então candidato à presidência Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, voltou a ser destaque na mídia devido a um laudo psiquiátrico recente. Esse documento, elaborado por peritos, revela um agravamento significativo em seu quadro de saúde mental, marcado por delírios de grandeza e perda de contato com a realidade. Detido desde o incidente em Juiz de Fora, Minas Gerais, Adélio cumpre medida de segurança em uma penitenciária federal, onde sua condição parece ter se deteriorado ao longo dos anos.

O atentado de 2018 chocou o Brasil e alterou o rumo da eleição presidencial. Adélio, um ex-filiado ao PSOL, alegou motivações políticas e religiosas para o ato, mas foi considerado inimputável pela Justiça devido ao diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Isso significa que ele não pode ser julgado como uma pessoa com plena capacidade mental, sendo direcionado a um regime de internação em vez de uma pena criminal convencional. O caso gerou debates intensos sobre segurança de candidatos e o papel da saúde mental em crimes de alto perfil.

No laudo mais recente, realizado para avaliar uma possível progressão de regime ou soltura, Adélio expressou ideias delirantes sobre sua própria relevância política. Ele afirmou que poderia se candidatar à Presidência da República, demonstrando uma autoestima exacerbada e desconexa da realidade. Essas declarações incluem menções a figuras públicas da mídia, como jornalistas da TV Globo, que ele imaginou como potenciais companheiros de chapa em uma hipotética campanha eleitoral.

Especificamente, Adélio citou William Bonner, âncora do Jornal Nacional, como uma opção para compor sua chapa presidencial, ao lado de outra jornalista, Patrícia Poeta. Os peritos interpretaram essas afirmações como sintomas clássicos de delírio persecutório e de grandeza, comuns na esquizofrenia paranoide. Tais delírios indicam uma piora no quadro, possivelmente influenciada pelo ambiente prisional, que não oferece o suporte psiquiátrico adequado para transtornos graves como o dele.

A penitenciária federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde Adélio está detido, é projetada para abrigar presos de alta periculosidade, mas não é um hospital especializado em saúde mental. O laudo conclui que o isolamento e a falta de tratamento contínuo contribuíram para o agravamento dos sintomas, reforçando a necessidade de transferência para uma instituição psiquiátrica. Isso levanta questões sobre o sistema penitenciário brasileiro e sua capacidade de lidar com indivíduos com transtornos mentais graves.

Legalmente, o diagnóstico de inimputabilidade protege Adélio de uma condenação penal tradicional, mas impõe uma medida de segurança indefinida, que pode durar enquanto ele for considerado perigoso para si ou para a sociedade. Os peritos enfatizaram que, sem cuidados especializados, há risco de maior instabilidade, o que poderia complicar qualquer tentativa de reinserção social no futuro. O caso continua sob monitoramento judicial, com avaliações periódicas para reassessar sua condição.

Em um contexto mais amplo, o episódio de Adélio ilustra os desafios da interseção entre saúde mental, política e justiça no Brasil. Delírios envolvendo figuras públicas destacam como transtornos não tratados podem distorcer a percepção da realidade, afetando ações individuais com repercussões nacionais. Embora o atentado tenha sido um evento isolado, ele serve como lembrete da importância de investir em prevenção e tratamento mental para evitar tragédias semelhantes.

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