Quatro manifestantes seguem internados após raio em ato de Nikolas em Brasília

O domingo (25) que prometia ser apenas mais um capítulo de mobilização política em Brasília acabou marcado por um episódio inesperado. Durante um protesto pró-Bolsonaro realizado no Eixo Monumental, quatro manifestantes atingidos por um raio permaneceram internados no Hospital de Base do Distrito Federal até a manhã desta segunda-feira (26). O susto foi grande e mobilizou equipes de saúde, bombeiros e a atenção de quem acompanhava o ato, tanto presencialmente quanto pelas redes sociais.
Ao todo, 47 pessoas precisaram ser encaminhadas para hospitais da capital após a descarga elétrica atingir a área central onde os manifestantes estavam concentrados, nas proximidades do Memorial JK. Segundo informações divulgadas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), 22 pacientes já receberam alta médica e um caso de evasão foi registrado. Os demais foram direcionados ao Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), que ainda não havia divulgado boletim atualizado até o início da tarde.
Em nota oficial, o IgesDF informou que apenas quatro pacientes seguiam em observação no Hospital de Base, todos em estado estável. A expectativa, de acordo com a administração, era de liberação médica a qualquer momento. A frase que circulou nos corredores foi quase unânime: poderia ter sido muito pior.
O episódio aconteceu em meio a um dia de clima instável na capital federal. Quem mora em Brasília sabe que o tempo pode mudar rapidamente, principalmente nesta época do ano. Ainda assim, a concentração de pessoas ao ar livre acabou ampliando os riscos. O Corpo de Bombeiros do DF informou que 89 manifestantes receberam algum tipo de atendimento no local, sendo que 11 demandaram cuidados médicos mais específicos. Vídeos divulgados nas redes mostram equipes agindo com rapidez, organizando o socorro e tranquilizando os presentes.
O protesto era liderado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e reunia apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O grupo aguardava o encerramento da caminhada organizada pelo parlamentar, que percorreu cerca de 240 quilômetros desde Paracatu, em Minas Gerais, até Brasília. A chegada aconteceu na Praça do Cruzeiro, a aproximadamente seis quilômetros do Palácio do Planalto, área que estava cercada por grades como parte do esquema de segurança.
A mobilização tinha como principal bandeira a defesa da liberdade de Bolsonaro, atualmente detido no Complexo Penitenciário da Papuda, após condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado. Independentemente das posições políticas, o incidente trouxe à tona um debate que vai além da ideologia: a importância da segurança em grandes eventos ao ar livre.
Especialistas costumam alertar que manifestações, shows e concentrações populares precisam levar em conta não apenas o trajeto e a logística, mas também as condições climáticas. Situações como a de domingo reforçam a necessidade de planos de contingência claros e comunicação eficiente com o público.
No fim das contas, o ato terminou com mais preocupação do que discursos. Entre relatos de susto, orações improvisadas e mensagens de apoio nas redes sociais, ficou a sensação de alívio por não haver registros mais graves. Para os que estavam ali, o domingo ficará na memória não apenas pelo motivo da manifestação, mas pelo lembrete de que, em eventos desse porte, segurança também é oportunidade de cuidado coletivo.



