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Raio atinge caminhada de Nikolas e deixa manifestantes feridos

Um forte temporal que atingiu Brasília na tarde de domingo transformou o encerramento da chamada “Caminhada pela Liberdade”, organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em um episódio de tensão e correria. Um raio caiu nas proximidades da Praça do Cruzeiro, local previsto para o fim do ato, atingindo apoiadores que acompanhavam a manifestação mesmo sob chuva intensa. O evento, que vinha sendo divulgado como pacífico e simbólico, precisou ser interrompido diante do risco provocado pelas condições climáticas adversas.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, dezenas de pessoas precisaram de atendimento médico após a descarga elétrica. Relatos iniciais apontam que o raio atingiu um guindaste instalado na área, e a corrente elétrica acabou se espalhando pelo entorno, alcançando manifestantes que estavam próximos. O socorro foi acionado rapidamente, com equipes de emergência atendendo as vítimas ainda no local antes do encaminhamento para unidades de saúde da capital.

Ao todo, mais de 30 pessoas deram entrada em hospitais da rede pública, principalmente no Hospital de Base e no Hospital Regional da Asa Norte. A maioria apresentava ferimentos leves, como mal-estar e dores musculares, compatíveis com situações de descarga elétrica indireta. Alguns pacientes, no entanto, precisaram de observação mais cuidadosa e foram levados para áreas de atendimento intensivo, a chamada “sala vermelha”. Segundo as autoridades de saúde, não houve registro de mortes, e todos os feridos permaneciam em condição estável.

A manifestação fazia parte de uma caminhada iniciada dias antes em Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, com destino final em Brasília. Nikolas Ferreira percorreu cerca de 240 quilômetros ao lado de apoiadores, em um trajeto que ganhou destaque nas redes sociais e atraiu a adesão de figuras conhecidas da direita brasileira. O discurso central do ato era a crítica a decisões recentes do Supremo Tribunal Federal relacionadas aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes.

Mesmo com a chuva e o clima instável, centenas de pessoas insistiram em acompanhar o último trecho da caminhada, o que aumentou a apreensão das autoridades. A área da Praça do Cruzeiro já vinha sendo monitorada por forças de segurança desde a véspera, justamente para evitar confrontos ou situações de risco. O episódio do raio escancarou um fator menos político, mas igualmente decisivo: quando o céu fecha, não há discurso que segure a natureza.

Além do deputado mineiro, o ato reuniu nomes conhecidos do campo bolsonarista, como o ex-vereador Carlos Bolsonaro, o senador Marcos do Val, o deputado Zé Trovão e o ex-candidato Padre Kelmon. A presença dessas lideranças reforçou o tom político da manifestação, que buscava manter mobilizada uma base eleitoral insatisfeita com o Judiciário. Após o incidente, muitos participantes deixaram o local às pressas, enquanto outros aguardavam notícias sobre amigos e familiares levados ao hospital.

Em declarações posteriores, Nikolas Ferreira afirmou que o objetivo da caminhada foi cumprido, independentemente do desfecho conturbado. Segundo ele, o movimento teria servido para “despertar a população” e chamar atenção para o que considera excessos do STF. O deputado evitou comentários diretos sobre o acidente climático, limitando-se a desejar pronta recuperação aos feridos e agradecer o trabalho das equipes de resgate, numa tentativa de baixar a temperatura política e, desta vez, também a meteorológica.

O episódio reacende o debate sobre segurança em atos públicos realizados ao ar livre, especialmente em períodos de chuvas intensas no Distrito Federal. Especialistas lembram que estruturas metálicas, como palcos e guindastes, podem se tornar pontos de risco em tempestades, exigindo protocolos mais rigorosos. No fim das contas, o protesto que pretendia marcar posição política acabou lembrado por um detalhe impossível de controlar: Brasília pode ser o palco do poder, mas quem manda mesmo, em dias assim, é o clima.

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