Morre aos 49 anos, Mayra Cunha, jornalista do Senado

A morte da jornalista Mayra Cunha, aos 49 anos, deixou um clima de tristeza e reflexão entre colegas, amigos e leitores que acompanharam sua trajetória ao longo dos anos. Natural de Brasília, ela construiu uma carreira sólida e respeitada no jornalismo público, especialmente dentro da Secretaria de Comunicação do Senado Federal, onde atuou por mais de duas décadas. Sua partida ocorreu no último fim de semana, no Recife (PE), onde estava de férias e acabou sendo internada no Hospital Santa Joana após apresentar um quadro de pneumonia. Apesar dos cuidados médicos, as complicações da doença se agravaram.
Filha de dois nomes conhecidos do jornalismo brasiliense, Paulo José Cunha e Fátima Mesquita, Mayra cresceu em meio a livros, redações e conversas sobre comunicação pública. Talvez por isso, desde cedo, demonstrou afinidade com o jornalismo que vai além da notícia rápida, valorizando contexto, cultura e informação de interesse coletivo. Ao longo dos anos, essa característica se tornou uma marca do seu trabalho.
Dentro do Senado Federal, Mayra passou por diferentes funções, sempre com a mesma dedicação. Atuou na produção de documentários da TV Senado, participou da edição de conteúdos da Agência Senado e integrou o programa “Autores e Livros”, voltado à divulgação literária. Na Rádio Senado, era a voz por trás da coluna semanal “Livro de Cabeceira”, espaço querido por ouvintes que buscavam boas indicações de leitura e reflexões sobre literatura. Não era apenas uma coluna informativa, mas um convite ao hábito da leitura, algo cada vez mais necessário em tempos de consumo rápido de informação.
Fora do ambiente institucional, Mayra também se destacou na cena cultural de Brasília. Ela esteve à frente da curadoria do Clube de Leitura da Livraria Oto Reifschneider, um espaço que reunia leitores, escritores e interessados em debates literários. Quem participou desses encontros costuma lembrar do jeito acessível e entusiasmado com que ela conduzia as conversas, sempre estimulando a troca de ideias e o pensamento crítico.
A Secretaria de Comunicação do Senado lamentou profundamente a perda e ressaltou a versatilidade da jornalista. Em nota, a diretora da Secom, Luciana Rodrigues, destacou que Mayra iniciou sua trajetória muito jovem no Senado e teve atuação intensa na divulgação dos projetos culturais, sem nunca se afastar do jornalismo. Mais do que o currículo, porém, ficou a lembrança de sua personalidade marcante, descrita como vívida, falante e alegre.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal também manifestou pesar e solidariedade à família. A entidade ressaltou a importância da contribuição de Mayra Cunha para o jornalismo público e para a vida cultural de Brasília, lembrando o legado que ela deixa entre colegas de profissão e leitores.
A despedida de Mayra Cunha reforça a importância de valorizar profissionais que dedicam a vida à comunicação pública e à cultura. Seu trabalho segue vivo na memória de quem teve a chance de conviver com ela, ouvir suas indicações literárias ou acompanhar suas produções jornalísticas.



