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Do Val participa de caminhada de Nikolas e diz que STF “gera medo de prisão”

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) voltou ao centro do debate político nacional nesta quinta-feira (22) ao participar de uma caminhada organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Durante o ato, realizado com discursos e manifestações críticas às instituições, o parlamentar fez declarações duras contra o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que decisões da Corte têm provocado um clima de insegurança jurídica e receio entre cidadãos e agentes políticos. As falas repercutiram rapidamente nas redes sociais e reacenderam discussões sobre os limites entre crítica política, institucionalidade e democracia no Brasil.

Ao discursar para apoiadores, Marcos do Val afirmou que o STF estaria criando um ambiente de temor relacionado a possíveis punições judiciais. Segundo ele, decisões tomadas de forma individual por ministros da Corte contribuiriam para um cenário que, em sua avaliação, compromete a liberdade de atuação política. O senador comparou o atual momento do país a períodos históricos marcados por restrições institucionais, argumentando que, hoje, o instrumento de controle seria o sistema judicial, e não mais a força militar. As declarações foram feitas em tom contundente e encontraram eco entre participantes do evento.

O parlamentar também afirmou que, na eleição presidencial anterior, o Brasil teria vivenciado o que classificou como um “novo modelo de ruptura institucional”, sustentando que ações do Judiciário e de forças de segurança teriam influenciado o processo político. Segundo Do Val, o sentimento de medo gerado por possíveis sanções judiciais teria impacto direto sobre a atuação de opositores e críticos do sistema. As falas, no entanto, não vieram acompanhadas de provas ou documentos que sustentassem formalmente essas alegações, o que levou especialistas a apontarem para o caráter opinativo do discurso.

Outro ponto que chamou atenção foi a menção aos Estados Unidos e às eleições brasileiras de 2026. Marcos do Val afirmou ter conversado com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e declarou que organismos internacionais deverão acompanhar o próximo pleito no Brasil. De acordo com o senador, esses observadores teriam a missão de verificar a regularidade do processo eleitoral, sem interferência direta, mas com fiscalização rigorosa. A afirmação ampliou a repercussão do discurso, especialmente nas redes sociais, onde usuários debateram a soberania do sistema eleitoral brasileiro.

Durante a fala, o senador demonstrou otimismo em relação ao cenário político futuro, afirmando acreditar em uma mudança significativa na composição do Congresso Nacional nas próximas eleições. Segundo ele, a insatisfação popular com decisões institucionais e com a atuação de parte do Judiciário poderia se refletir nas urnas. A avaliação reforça o tom eleitoral do discurso, ainda que o evento tenha sido apresentado como uma manifestação cívica em defesa de valores democráticos, segundo seus organizadores.

Marcos do Val também citou a Lei Magnitsky, legislação dos Estados Unidos que permite sanções a autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção. O senador afirmou que determinadas autoridades brasileiras ainda estariam sob observação internacional e que eventuais acordos políticos poderiam influenciar esse cenário. Ele mencionou, sem detalhar, que o cumprimento de compromissos por parte do governo federal seria determinante para evitar novos desdobramentos. As declarações geraram reações imediatas entre juristas e analistas políticos, que alertaram para a complexidade e a seriedade do tema.

A participação de Marcos do Val na caminhada organizada por Nikolas Ferreira ocorre em um momento de alta tensão no ambiente político nacional, marcado por debates sobre o papel das instituições, liberdade de expressão e responsabilidade de agentes públicos. As declarações do senador reforçam a polarização e indicam que o discurso crítico ao Judiciário deve continuar ocupando espaço no debate público nos próximos meses. Enquanto apoiadores veem nas falas um alerta, críticos defendem a importância de preservar a estabilidade institucional e o respeito às regras democráticas, especialmente às vésperas de um novo ciclo eleitoral.

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