Decisão determina que policiais da Câmara acompanhem caminhada de Nikolas Ferreira

Brasília — A caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) rumo à capital federal não envolve apenas a mobilização de apoiadores ao longo de mais de 200 quilômetros pela BR-040. O ato ganhou um desdobramento pouco divulgado: a presença permanente de agentes da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, que acompanham o parlamentar e outros congressistas desde o início do trajeto.
A Polícia Legislativa, tradicionalmente responsável pela segurança interna do Congresso Nacional, foi acionada após o deputado relatar ameaças. Segundo interlocutores da corporação, a escolta segue protocolos previstos para situações em que parlamentares demonstram necessidade de proteção fora das dependências institucionais. Na prática, os agentes permanecem ao lado de Nikolas durante todo o percurso, independentemente do local ou horário.
A caminhada teve início na última segunda-feira (19), em Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, e está prevista para terminar no domingo (25), com uma manifestação na Praça do Cruzeiro, em Brasília. O ato deve reunir apoiadores e aliados em defesa do que o deputado define como “liberdade” e em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A presença constante de agentes legislativos ao longo de um trajeto rodoviário chamou a atenção de outras forças de segurança. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que monitora o deslocamento, mas alegou não ter recebido comunicação formal prévia sobre a caminhada antes do início. Segundo a corporação, a falta de aviso dificultou o planejamento de ações preventivas ao longo do percurso.
Em nota, a PRF alertou para os riscos à segurança viária, sobretudo em trechos de pista simples e acostamento estreito, onde a circulação de pedestres pode aumentar o risco de acidentes. O posicionamento ampliou o debate em torno da responsabilidade pela segurança do ato, que ocorre em rodovia federal de intenso fluxo.
A assessoria de Nikolas, por sua vez, contestou a versão da PRF e afirmou que a comunicação foi enviada no início da semana. A divergência expôs um descompasso entre órgãos de segurança em meio a um evento político de grandes proporções e forte visibilidade nacional.
Especialistas em segurança pública observam que o uso da Polícia Legislativa em deslocamentos desse tipo é incomum, já que a atuação da corporação costuma se restringir a prédios e áreas oficiais do Parlamento. A medida, no entanto, reflete o atual cenário de polarização política, no qual parlamentares relatam riscos crescentes fora do ambiente institucional.
Além da Polícia Legislativa, Polícia Militar e forças locais acompanham trechos específicos da caminhada, principalmente em áreas urbanas e pontos de maior circulação. No Distrito Federal, a Secretaria de Segurança Pública prepara uma operação específica para a chegada dos manifestantes, com foco na ordem pública e na proteção de pessoas e do patrimônio.
À medida que o grupo se aproxima de Brasília, aumenta a expectativa não apenas sobre o desfecho do ato, mas também sobre o impacto simbólico dessa combinação entre mobilização política, escolta oficial e atuação das instituições de segurança. A chegada à Praça do Cruzeiro promete encerrar a caminhada — mas o debate em torno dela deve seguir bem além do ponto final do trajeto.



