Flávio Bolsonaro cresce e se aproxima de Lula no 2º turno

O cenário político brasileiro segue em movimento constante, daqueles que mudam de figura em poucas semanas e obrigam analistas, militantes e até o eleitor comum a recalcular rotas. A mais recente pesquisa de intenção de voto trouxe um dado que chamou atenção nos bastidores de Brasília e nas rodas de conversa política: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reduziu de forma considerável a distância que o separa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eventual disputa de segundo turno.
Em dezembro do ano passado, a diferença entre os dois era relativamente confortável para o petista. Lula aparecia com 53% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro marcava 41%. Uma vantagem de 12 pontos percentuais, vista por muitos como difícil de ser revertida em curto prazo. Pouco mais de um mês depois, o quadro já é outro. Em janeiro, Lula passou a registrar 49,2%, e Flávio chegou a 44,9%. A diferença agora é de apenas 4,3 pontos.
Pode parecer pouco para quem olha números de forma fria, mas, no jogo político, essa redução é significativa. Ela indica mudança de humor do eleitorado, reposicionamento de discursos e, possivelmente, maior exposição do senador fluminense no debate nacional. Vale notar também que o percentual de eleitores que não souberam ou preferiram não responder praticamente não se alterou, indo de 6% para 5,9%. Ou seja, a variação ocorreu, principalmente, entre os dois polos principais da disputa.
Enquanto isso, outro cenário testado pela pesquisa manteve-se estável. A simulação de segundo turno entre Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mostrou números muito próximos aos registrados anteriormente. O presidente aparece com 49,1% das intenções de voto, contra 45,4% de Tarcísio. Em dezembro, os percentuais eram de 49% para Lula e 45% para o governador paulista, o que indica um quadro de relativa constância.
Esses dados ajudam a entender que, embora Flávio Bolsonaro tenha avançado, Lula ainda se mantém à frente nos principais cenários testados. Isso fica ainda mais claro quando se observa as simulações de primeiro turno. Na disputa direta com Flávio, o petista lidera com 48,8% das intenções de voto, enquanto o senador soma 35%. Já no cenário com Tarcísio de Freitas, Lula registra 48,5%, ante 28,4% do governador de São Paulo.
Nos bastidores, aliados do governo avaliam que a queda nos números de Lula pode estar ligada ao desgaste natural de quem ocupa o cargo em um ambiente político polarizado e com forte cobrança social. Já apoiadores de Flávio Bolsonaro veem os novos percentuais como sinal de que o nome do senador começa a ganhar musculatura própria, deixando de ser apenas uma extensão do capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ainda é cedo para qualquer conclusão definitiva. Pesquisas são retratos do momento, e o calendário eleitoral costuma reservar surpresas. O que os números indicam, por ora, é um cenário mais competitivo do que se imaginava no fim do ano passado. E, em política, quando a distância diminui, a disputa tende a esquentar.



