Lula volta a criticar Trump e diz oque presidente dos EUA quer fazer

Numa tarde de terça-feira diferente em Rio Grande, no extremo sul do Rio Grande do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mais do que apenas participar de uma cerimônia oficial de entrega de moradias. Ao discursar sobre políticas públicas e relações internacionais, ele voltou a direcionar críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendendo um debate que vinha mais moderado nos últimos meses.
O programa Minha Casa, Minha Vida foi o fio condutor do encontro. Ali, Lula celebrou a entrega de 1.276 unidades habitacionais destinadas a famílias com renda bruta de até R$ 2.850 mensais, um esforço do governo para apoiar comunidades afetadas pelas enchentes no estado. A expectativa é de que cerca de 5 mil pessoas sejam diretamente beneficiadas com essas novas residências, frutos de uma aplicação de R$ 6,5 bilhões em créditos extraordinários para a reconstrução.
Mas foi no trecho em que falou sobre política externa que ele capturou a atenção dos que acompanhavam o evento. Lula afirmou, com o tom inconfundível que já marcou sua trajetória política, que Trump teria a intenção de “governar o mundo pelas redes sociais”. A declaração fazia referência ao histórico uso intenso de plataformas como o Twitter (agora conhecida como X) pelo líder norte-americano para comunicar decisões e opiniões de grande impacto global.
“Já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? Fantástico, todo dia fala uma coisa e todo dia o mundo também fala a mesma coisa que ele falou”, afirmou o presidente brasileiro. Em seguida, ele ponderou sobre a importância do contato humano no exercício da política, ressaltando que tratar as pessoas com respeito exige mais do que palavras escritas em telas de celular.
Esse discurso marca uma mudança de tom em relação à postura que vinha sendo mantida desde que os Estados Unidos reduziram tarifas sobre produtos brasileiros. Após aquela sinalização positiva inicial, Lula havia adotado um perfil mais comedido em relação ao líder norte-americano. Porém, comentários recentes, incluindo um artigo publicado no jornal The New York Times, em que o presidente abordou questões como a situação na Venezuela, provavelmente contribuíram para uma reavaliação dessa postura.
Outro elemento que complica as relações entre Brasília e Washington é a proposta norte-americana de criar um “Conselho da Paz” voltado à situação em Gaza, convite que foi estendido a várias lideranças mundiais e que, até o momento, não recebeu uma resposta oficial do governo brasileiro. Autoridades brasileiras demonstraram cautela em relação às intenções por trás dessa iniciativa, enquanto o anúncio provocou reações mistas em outros países também convidados.
No entanto, a fala de Lula não se limitou a críticas externas. No mesmo discurso, ele abordou temas domésticos, como a regulamentação das plataformas de apostas e a necessidade de que as redes sociais sejam usadas de forma mais consciente, apontando para questões que mexem com o cotidiano dos brasileiros.
Ao mesmo tempo, o evento no Rio Grande do Sul aconteceu em um contexto político mais amplo. A menos de um ano das eleições de 2026, pesquisas internas refletem um cenário competitivo entre Lula e figuras como o governador Eduardo Leite, algo que influencia o tom das declarações públicas do presidente e a forma como ele articula suas prioridades.
No final das contas, a fala de Lula exemplifica como a política externa e as dinâmicas eleitorais internas podem se cruzar num único momento. E, ao mesmo tempo em que celebra conquistas sociais, ele aproveita para reafirmar posições e questionar abordagens distintas, lembrando que, na diplomacia como na vida pública, o diálogo e o respeito contam tanto quanto qualquer estratégia digital.



