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Flávio Bolsonaro é denunciado ao TSE por espalhar fake news contra Lula

O embate político nas redes sociais ganhou mais um capítulo nesta semana e voltou a colocar em pauta um tema recorrente no debate público brasileiro: a disseminação de informações falsas e seus impactos no processo democrático. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), anunciou que protocolou ações formais contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Advocacia-Geral da União (AGU), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF). A acusação envolve propaganda eleitoral antecipada e a divulgação de fake news contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Lindbergh, a representação se baseia em um vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro nas redes sociais, editado e fora de contexto, que atribui falsamente a Lula a frase de que “pobre não nasceu para estudar”. O conteúdo, apesar de ter sido apagado pelo senador após a repercussão negativa e denúncias públicas, continua circulando em outras plataformas, o que, na avaliação do parlamentar petista, mantém os efeitos da desinformação ativos.

Em declaração à imprensa, Lindbergh foi direto ao classificar a conduta do senador. Para ele, o episódio ultrapassa os limites da crítica política legítima e entra no campo da manipulação deliberada de conteúdo audiovisual. “Trata-se de desinformação estruturada, com alto potencial de dano institucional e eleitoral”, afirmou. O deputado também destacou que o fato de a publicação ter ocorrido fora do período eleitoral oficial não diminui sua gravidade, já que a construção da opinião pública é um processo contínuo, influenciado diariamente por narrativas que se espalham nas redes.

Um dos pontos centrais da denúncia é a argumentação de que apagar a postagem não elimina o problema. De acordo com Lindbergh, a exclusão posterior do conteúdo não afasta a possível irregularidade, justamente porque o vídeo já havia sido compartilhado, replicado e comentado por milhares de usuários, permanecendo acessível em diversos perfis e páginas.

Além do pedido de providências junto à AGU, o parlamentar solicitou que cópias do material fossem encaminhadas ao TSE, como forma de prevenção e monitoramento de práticas semelhantes durante o período eleitoral. Também houve o acionamento do STF, para avaliar se o caso pode ter relação com o Inquérito nº 4.781, que investiga a atuação de redes organizadas de fake news e milícias digitais.

O episódio ganhou ainda mais destaque após reportagem da revista Fórum apontar que Flávio Bolsonaro apagou a postagem poucas horas depois da denúncia pública. O vídeo em questão foi retirado de um discurso recente de Lula, realizado em Brasília, durante uma cerimônia que marcou os 90 anos do salário mínimo, na Casa da Moeda. Na ocasião, o presidente falava sobre o acesso histórico da população mais pobre à educação superior.

O trecho usado por Flávio Bolsonaro, segundo a reportagem, ignorou completamente o contexto do discurso. Lula utilizava sarcasmo e ironia para criticar um pensamento elitista que, por décadas, defendeu que estudo era privilégio de poucos. Ao recortar apenas essa parte e apresentá-la como uma afirmação literal, o vídeo acabou transmitindo uma mensagem oposta à intenção original do presidente.

Após a remoção da postagem, usuários que tentam acessar o conteúdo no X (antigo Twitter) encontram apenas um aviso informando que a publicação não está mais disponível. Ainda assim, a discussão segue viva nas redes e no meio político. O caso reforça um debate cada vez mais atual sobre responsabilidade digital, liberdade de expressão e os limites da atuação política no ambiente online, especialmente em um ano pré-eleitoral como 2026.

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