Fachin antecipa volta a Brasília para conter crise no STF em inquérito do Banco Master

O retorno antecipado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a Brasília durante o recesso chamou a atenção do meio político e jurídico nesta semana. Na noite de segunda-feira, 19 de janeiro, Fachin desembarcou na capital federal após decidir interromper o período de descanso. A avaliação feita a interlocutores foi direta: “o momento exige”. Por trás da frase curta, há um cenário de desgaste institucional que passou a preocupar a cúpula da Corte.
O pano de fundo dessa decisão é o inquérito envolvendo o Banco Master, que vem gerando repercussão negativa e colocando o STF em uma posição delicada. O caso, relatado pelo ministro Dias Toffoli, provocou reações internas e externas, sobretudo por conta de medidas consideradas fora do padrão por integrantes do sistema de Justiça. Durante o recesso, Fachin havia transferido a presidência interina ao vice, Alexandre de Moraes, mas optou por reassumir pessoalmente a condução do momento crítico.
O principal desafio do presidente do STF agora é administrar uma crise institucional que extrapolou os limites do tribunal. As decisões relacionadas ao inquérito colocaram o Supremo em rota de colisão com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República. Nos bastidores, há a leitura de que o ruído não se restringe a divergências técnicas, mas afeta diretamente a imagem da Corte em um período já marcado por forte escrutínio público.
Mesmo diante desse cenário tenso, Fachin manteve um compromisso fora de Brasília. Nesta terça-feira, ele cumpre agenda em São Luís, no Maranhão, onde se reúne com o ministro Flávio Dino. O encontro presencial foi preservado apesar do recesso por um motivo pessoal: o filho de Dino passará por uma cirurgia. O deslocamento do presidente do STF até a capital maranhense foi interpretado como um gesto de consideração humana e institucional, algo valorizado em um ambiente geralmente dominado por formalidades.
Enquanto isso, a pressão sobre o ministro Dias Toffoli cresce em outra frente. Na Procuradoria-Geral da República, o procurador-geral Paulo Gonet já recebeu ao menos quatro representações de parlamentares que pedem a análise da suspeição de Toffoli para relatar o inquérito do Banco Master. Embora o pedido tenha forte peso político, ele esbarra em um dado histórico: em 26 anos, o STF jamais acolheu uma solicitação desse tipo para afastar um de seus próprios ministros.
A presidência do Supremo acompanha com atenção o método adotado no caso. Toffoli concentrou no STF todas as investigações relacionadas ao banco, incluindo processos que tramitavam na primeira instância e que não envolviam autoridades com foro privilegiado. Além disso, foi imposto um elevado grau de sigilo, limitando o acesso a informações processuais nos sistemas públicos, o que gerou críticas e desconforto entre investigadores.
A tensão ganhou contornos mais visíveis no último sábado, 17, quando a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal divulgou uma nota pública classificando a situação como “atípica”. A entidade apontou possíveis interferências nas prerrogativas da PF, citando prazos apertados para diligências, procedimentos fora do padrão e até a indicação nominal de peritos.
No dia seguinte, o presidente da associação, Edvandir Felix de Paiva, reforçou a preocupação em entrevista ao Correio. Segundo ele, decisões consideradas incomuns podem dificultar o andamento das apurações e comprometer o resultado final. Em meio a esse cenário, o retorno de Fachin simboliza uma tentativa de conter danos, reorganizar o diálogo institucional e preservar a credibilidade do Supremo em um momento sensível.



