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Lula manda recado para Trump sobre Venezuela em artigo no NYT: “Não seremos submissos”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao centro do debate internacional neste fim de semana ao publicar um artigo no jornal norte-americano The New York Times. Com o título “Esse hemisfério pertence a todos nós”, o texto traz um recado direto aos Estados Unidos, em especial ao presidente Donald Trump, após a ofensiva contra a Venezuela ocorrida no dia 3 de janeiro. Sem rodeios, Lula afirmou que a América Latina e o Caribe não serão submissos a projetos hegemônicos, reforçando uma posição histórica da diplomacia brasileira.

No artigo, Lula classifica a ação norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro como mais um episódio preocupante da erosão do direito internacional e da ordem multilateral construída após a Segunda Guerra Mundial. Para o presidente brasileiro, o uso da força deve ser sempre excepcional. Quando esse recurso passa a ser utilizado com frequência, segundo ele, a paz e a estabilidade globais entram em risco real.

O tom do texto alterna firmeza política com argumentos institucionais. Lula critica o que chama de respeito “seletivo” às normas internacionais, prática que, em sua visão, enfraquece os Estados e compromete o funcionamento do sistema internacional. Ele deixa claro que não considera legítimo que um país se coloque como juiz e executor da justiça global, ignorando regras que deveriam valer para todos.

Ao abordar os impactos concretos dessas ações, o presidente destaca consequências que vão além do campo militar. Segundo Lula, iniciativas unilaterais afetam o comércio, desestimulam investimentos, ampliam fluxos migratórios forçados e dificultam o combate ao crime organizado e a outros desafios transnacionais. Para ele, trata-se de um efeito em cadeia que atinge diretamente regiões mais vulneráveis.

A preocupação aumenta quando essas práticas são direcionadas à América Latina e ao Caribe. Lula lembra que, em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, ainda que intervenções indiretas tenham ocorrido no passado. O alerta é claro: ações desse tipo trazem instabilidade a uma região que, segundo ele, busca resolver conflitos com base na igualdade soberana e na autodeterminação dos povos.

Em um dos trechos mais simbólicos do artigo, Lula afirma que a América Latina e o Caribe têm seus próprios interesses, prioridades e sonhos. Em um mundo cada vez mais multipolar, ele defende que nenhum país deve ser questionado por buscar relações amplas e diversas. “Não seremos subservientes a projetos hegemônicos”, escreveu, ressaltando que a construção de uma região próspera, pacífica e plural é o único caminho que faz sentido para os países latino-americanos.

O presidente também aproveitou o espaço para defender uma agenda regional positiva. Em vez de conflitos ideológicos, Lula propõe cooperação prática, com foco em investimentos em infraestrutura física e digital, geração de empregos, aumento da renda e fortalecimento do comércio regional e internacional. Para ele, somente com união será possível enfrentar desafios como fome, pobreza, tráfico de drogas e mudanças climáticas.

Ao tratar do futuro da Venezuela, Lula reafirma uma posição já conhecida: cabe exclusivamente ao povo venezuelano decidir seus rumos. Ele defende um processo político inclusivo, conduzido internamente, como único caminho para uma solução democrática e sustentável. O uso da força, segundo o presidente, já demonstrou ao longo da história que não aproxima sociedades desses objetivos.

Por fim, Lula afirma manter diálogo com os Estados Unidos e acredita que o entendimento só pode surgir por meio do contato diplomático. A mensagem final reforça o título do artigo: o hemisfério pertence a todos, e os desafios comuns exigem respeito, cooperação e responsabilidade compartilhada.

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