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Flavio Bolsonaro grava vídeo e se pronuncia sobre Michelle e Tarcísio

Nos últimos dias, o tabuleiro político da direita brasileira voltou a se movimentar com força. Um vídeo publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) reacendeu debates, especulações e, claro, dividiu opiniões entre apoiadores. O assunto central foi o suposto apoio de Michelle Bolsonaro ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em uma possível disputa presidencial. O estopim da conversa foi simples, mas simbólico: uma curtida.

A ex-primeira-dama curtiu um comentário feito por Cristiane Freitas, esposa de Tarcísio, dizendo que o Brasil precisava de um “novo CEO”. A palavra, bastante usada no vocabulário corporativo, caiu como gasolina no debate político. Rapidamente, surgiram interpretações de que Michelle estaria sinalizando apoio ao governador paulista, visto por muitos como um herdeiro natural do capital político de Jair Bolsonaro.

Diante do barulho, Flávio resolveu falar. No vídeo, adotou um tom conciliador, mas firme. Reconheceu que Michelle e Tarcísio têm papéis relevantes dentro do campo conservador, porém deixou claro que, para ele, o nome ideal continua sendo o do pai. Jair Bolsonaro, mesmo preso por envolvimento em uma trama golpista e atualmente inelegível, segue sendo tratado pelo filho como a principal liderança da direita.

Flávio fez uma pergunta que, na prática, resume o dilema do grupo: como unir o país sem antes conseguir unir a própria direita? Para ele, o desafio passa menos por escolher um nome agora e mais por construir um projeto coletivo. Em um trecho que repercutiu bastante, o senador disse acreditar que muitos brasileiros ainda gostariam de ver Jair Bolsonaro livre e de volta ao comando do país, e garantiu que seguirá lutando por isso “até depois do fim”.

Ao mesmo tempo, o discurso não fechou portas. Flávio citou uma lista de nomes que, segundo ele, poderiam dividir o mesmo palanque no futuro: Tarcísio, Michelle, Ratinho Júnior, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, entre outros. A mensagem foi clara: a união virá, mas no “tempo certo”. Uma fala que soa como recado tanto para aliados quanto para os mais apressados.

Alguns dos citados, aliás, já se movimentam publicamente. Zema, em Minas Gerais, e Caiado, em Goiás, não escondem o interesse em disputar a Presidência. Já Tarcísio e Michelle mantêm silêncio estratégico. Mesmo assim, seus nomes aparecem com frequência nas rodas de conversa, nas redes sociais e nos bastidores de Brasília, sempre acompanhados do rótulo de possíveis sucessores de Bolsonaro.

Michelle, por sua vez, decidiu se pronunciar. Em um texto longo publicado no X, ela reagiu às críticas feitas pelo influenciador Allan dos Santos, que havia dado grande destaque à curtida e à republicação de um vídeo de Tarcísio em seus Stories. O tom foi direto, pessoal e sem rodeios. Michelle disse que a curtida foi um gesto de amizade, sem intenção política, e afirmou que jamais interpretou o comentário como uma indicação do marido de Cristiane Freitas à Presidência.

Segundo ela, o sentido era outro: o Brasil precisa, sim, de um novo governante. E, na visão dela, esse nome continua sendo Jair Bolsonaro. Allan dos Santos, no entanto, sustenta que a ex-primeira-dama estaria sendo usada por setores do centro político, tese que segue alimentando discussões entre apoiadores.

No fim das contas, o episódio mostra algo maior do que uma simples curtida. Ele revela uma direita em fase de reorganização, ainda muito ligada ao passado recente, mas pressionada a pensar no futuro. Entre gestos, palavras e silêncios, o cenário segue aberto — e, ao que tudo indica, longe de uma definição rápida.

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