Lula diz que Bolsonaro tinha 30 milhões de seguidores “mesmo falando bobagem”

Durante um discurso marcado por tom político e reflexões sobre o futuro das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a chamar atenção para o papel das redes sociais na formação de opinião no Brasil. A fala aconteceu nesta sexta-feira, dia 16, durante a cerimônia que celebrou os 90 anos da criação do salário mínimo, realizada na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. Em meio às lembranças históricas e aos recados sobre o presente, Lula citou diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro ao comentar o alcance das redes digitais.
Segundo Lula, Bolsonaro chegou a reunir cerca de 30 milhões de seguidores nas plataformas sociais, mesmo, nas palavras do presidente, “falando bobagem”. A declaração arrancou reações variadas e serviu de gancho para uma crítica mais ampla sobre a facilidade com que conteúdos enganosos ganham visibilidade na internet. Para ilustrar, Lula comparou o número de seguidores de influenciadores políticos com o de professores e especialistas. “Não conheço um professor de matemática que tenha 4 milhões de seguidores, ou um professor de geografia com esse alcance. Quem ensina coisa séria dificilmente chega a esses números. Mas quem fala bobagem pode ter 20 milhões, 30 milhões”, afirmou.
O discurso teve claro tom de alerta para as eleições de 2026. Lula demonstrou preocupação com a disseminação de fake news e com o uso cada vez mais sofisticado da inteligência artificial para manipular informações. Para ele, o desafio não é apenas tecnológico, mas também humano. “É preciso que a gente não se permita virar algoritmo. Nós somos seres humanos, temos coração. Não podemos ficar reféns do que o algoritmo decide mostrar”, disse, em um trecho que foi bastante repercutido nas redes.
A menção a Bolsonaro também ocorreu em um contexto político sensível. Um dia antes do discurso, o ex-presidente havia sido transferido da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para a Sala de Estado Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, espaço conhecido como Papudinha. Embora Lula não tenha entrado em detalhes sobre a situação jurídica do adversário, a lembrança reforçou o clima de disputa que já começa a se desenhar no cenário nacional.
Outro ponto que chamou atenção foi o alerta específico direcionado às mulheres. Lula falou sobre os riscos do uso indevido da inteligência artificial para criar imagens falsas e situações que nunca aconteceram. Sem entrar em termos explícitos, o presidente destacou que a tecnologia pode ser usada de forma irresponsável para expor pessoas e causar danos à reputação. A mensagem foi clara: é preciso atenção redobrada e preparo para lidar com esse novo tipo de ameaça digital.
Ao longo do discurso, Lula insistiu na ideia de que a sociedade precisa desenvolver um olhar mais crítico sobre o que consome online. Para ele, se não houver cuidado, a mentira pode ganhar mais força do que a verdade, especialmente em períodos eleitorais. A fala reflete um debate cada vez mais presente no Brasil e no mundo, em que liberdade de expressão, tecnologia e responsabilidade caminham juntas, nem sempre de forma equilibrada.
No fim das contas, o recado de Lula foi menos sobre números de seguidores e mais sobre consciência coletiva. Em um país conectado como o Brasil, onde as redes sociais influenciam decisões políticas, econômicas e sociais, saber filtrar informações deixou de ser opção. Tornou-se uma necessidade.



