PF dá protetor auricular a Bolsonaro para abafar ruído de equipamento; Carlos critica

A polêmica sobre as condições de encarceramento do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a ganhar espaço nas redes e na imprensa nesta primeira quinzena de janeiro de 2026. Desta vez, quem chamou a atenção foi o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), que usou suas plataformas digitais para criticar a forma como a Polícia Federal tem lidado com uma situação que considera emblemática do tratamento dado ao pai enquanto ele cumpre sua pena na Superintendência da PF em Brasília.
A reclamação central gira em torno de um barulho constante. Segundo Carlos, um equipamento de ar-condicionado instalado próximo à sala onde Jair Bolsonaro está custodiado gera um ruído que, nas palavras dele, é “intenso” e “enlouquecedor”, espalhando-se de maneira contínua e prejudicando o descanso do ex-presidente.
O que estranhou o filho “02”, como ele é conhecido entre apoiadores, foi a reação das autoridades: em vez de eliminar a causa do problema, a PF teria oferecido protetores auriculares para Jair Bolsonaro usar e, assim, abafar o som. Essa medida, explicou Carlos em uma postagem no X (antigo Twitter), seria uma “irregularidade” que nada mais faz do que transferir ao custodiado o ônus de suportar a condição adversa.
Em comunicados e postagens, ele ampliou o argumento, afirmando que o ruído constante, a “privação de descanso” e o que chamou de “ambiente hostil” configuram o que algumas vozes qualificam como tratamento degradante, sobretudo considerando a idade e o histórico de saúde do ex-presidente.
Vale destacar que este não é um episódio isolado dentro da longa narrativa que envolve a detenção de Jair Bolsonaro. Ele está preso desde o fim de novembro de 2025, após uma condenação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado, e cumpre pena de 27 anos e três meses em regime fechado.
Nos últimos dias, além da questão do barulho, outros episódios acenderam o debate sobre as condições de sua custódia. Seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou um vídeo na segunda-feira (12) comparando as restrições enfrentadas por Bolsonaro com as que teria um ex-líder político estrangeiro em solo norte-americano, gerando repercussão internacional e tensões no discurso público.
E não para por aí: na semana passada, o ex-presidente sofreu uma queda dentro da cela, o que resultou em atendimento médico da própria Polícia Federal e, posteriormente, em transferência para um hospital após autorização judicial. O diagnóstico foi de traumatismo craniano leve, e a situação chegou a desencadear uma sindicância pelo Conselho Federal de Medicina, posteriormente anulada por determinação judicial.
Nesse contexto mais amplo, a crítica de Carlos Bolsonaro se insere em um movimento contínuo da família e de aliados para questionar as condições do encarceramento, tanto em termos físicos quanto de saúde. A Defensoria Pública do Distrito Federal anunciou a abertura de um procedimento para analisar informações médicas e de custódia, após ofícios de parlamentares solicitarem providências sobre o caso.
Independentemente da avaliação sobre o barulho em si, a discussão levanta questões importantes sobre os direitos de pessoas privativas de liberdade, especialmente quando se trata de figuras públicas com repercussão nacional. A polêmica sobre ruído, descanso e dignidade segue em debate e promete ser pauta nos próximos dias enquanto a Defensoria e outros órgãos caminham para chamadas “providências urgentes”.
Seja qual for a opinião de cada leitor, é uma boa lembrança de que, em tempos de notícias rápidas, cada detalhe — como um ar-condicionado barulhento — pode desencadear reflexões profundas sobre justiça, direitos e humanidade no Brasil de 2026.



