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Pesquisa Quaest: maioria dos brasileiros acredita que Lula não merece novo mandato

A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (14), trouxe novos elementos para o debate político que já começa a ganhar força nos bastidores de Brasília e também nas conversas do dia a dia. Os números mostram que a maioria dos brasileiros não vê, neste momento, motivos suficientes para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispute um novo mandato. Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados afirmam que Lula não merece mais quatro anos à frente do país. Já 40% defendem a continuidade do atual governo, enquanto 4% preferiram não opinar.

O dado chama atenção não apenas pelo percentual em si, mas pelo contexto. Desde o fim do ano passado, o cenário tem se mostrado relativamente estável, sem grandes avanços para o Planalto. A aprovação do governo aparece em 47%, enquanto a desaprovação chega a 49%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado mantém o empate técnico que vem sendo observado desde outubro de 2025. Ou seja, o país segue dividido, com uma leve inclinação crítica.

Para quem acompanha a política com mais atenção, esse quadro não chega a ser uma surpresa completa. Em dezembro de 2024, Lula registrava 52% de aprovação, um patamar mais confortável do que o atual. Desde então, houve uma queda gradual, interrompida por tentativas de recuperação que, até agora, parecem ter perdido fôlego. O ponto mais delicado foi em maio de 2025, quando a desaprovação bateu 57%, o pior índice do atual mandato.

Mas os números frios da aprovação não contam toda a história. A pesquisa também analisou a percepção qualitativa do governo, e aí surgem nuances importantes. Para 39% dos entrevistados, a gestão é considerada “negativa”, um leve aumento em relação ao mês anterior. Já a avaliação “positiva” caiu dois pontos e agora soma 32%. Em contrapartida, cresceu o grupo que enxerga o governo como “regular”, chegando a 27%. Esse dado sugere que parte do eleitorado não está completamente fechada com a rejeição, mas também não demonstra entusiasmo.

Em rodas de conversa, nas redes sociais ou até em filas de mercado, o sentimento captado pela pesquisa se repete com frequência. Há quem reconheça esforços em áreas sociais e na retomada do diálogo internacional, mas também há críticas sobre ritmo, comunicação e resultados práticos na vida cotidiana. O custo de vida, o mercado de trabalho e a sensação de estagnação econômica aparecem com frequência nessas discussões informais.

Outro ponto relevante é que a ideia de um novo mandato ainda parece distante para boa parte da população. Mesmo entre aqueles que não classificam o governo como ruim, existe uma percepção de desgaste natural após anos de protagonismo político de Lula. Para muitos, o debate sobre o futuro passa mais pela renovação do que pela continuidade.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 8 e 11 de janeiro de 2026, em entrevistas presenciais realizadas em todo o país. O nível de confiança é de 95%, o que reforça a consistência dos dados apresentados.

No fim das contas, o levantamento funciona como um termômetro do momento. Ele não define o desfecho de 2026, mas indica que o presidente terá desafios consideráveis se quiser reverter a percepção atual. O tempo político segue em movimento, e os próximos meses serão decisivos para saber se esse cenário de estagnação dará lugar a uma virada ou se consolidará como tendência.

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