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Fraude do INSS: filho de Lula sai do Brasil enquanto ocorrem investigações e pedido de prisão

O início de 2026 tem sido marcado por um clima de atenção redobrada nos bastidores de Brasília. Entre pautas econômicas, articulações para o próximo ciclo eleitoral e debates no Congresso, um tema específico ganhou espaço nas manchetes: o avanço das investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema bilionário envolvendo benefícios do INSS. Nesse cenário, o nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, voltou ao centro do noticiário.

Lulinha deve retornar nos próximos dias a Madri, na Espanha, onde vive desde meados de 2025. A expectativa é que permaneça fora do país até depois de 2026. A viagem, embora já planejada, ocorre em um momento delicado, justamente quando a Polícia Federal aprofunda apurações sobre possíveis conexões dele com empresários investigados no caso que ficou conhecido como Operação “Sem Desconto”.

Durante as festas de fim de ano, Lulinha passou cerca de três semanas no Brasil. Nesse período, não houve registros públicos de encontros com o presidente Lula, seu pai. Ainda assim, a coincidência de datas chamou a atenção de investigadores e de setores da oposição. Isso porque a PF apura possíveis vínculos entre ele e Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores de um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024.

Segundo informações encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, as investigações estão em fase inicial, mas envolvem uma análise ampla de materiais. Estão sendo avaliados depoimentos, mensagens trocadas por aplicativos, anotações, registros de viagens e outros elementos que, em tese, poderiam indicar a atuação de um sócio não formalizado em empresas ligadas ao esquema. A Polícia Federal, no entanto, ressalta que essas linhas de apuração ainda dependem de confirmação mais robusta.

Um dos pontos mais comentados do inquérito envolve relatos de testemunhas sobre supostos repasses mensais que girariam em torno de R$ 300 mil, além de valores acumulados que poderiam chegar a R$ 1,5 milhão ou mais. Esses pagamentos estariam ligados a empresas associadas ao empresário investigado. Até o momento, porém, a PF afirma não haver provas materiais concretas que comprovem o envolvimento direto de Lulinha. A defesa reage com firmeza, classificando as acusações como ilações e negando qualquer relação com o INSS ou com o esquema apurado.

No campo político, a repercussão foi imediata. No dia 13 de janeiro de 2026, parlamentares da bancada do partido Novo protocolaram no STF um pedido de medidas cautelares contra Lulinha. Entre as solicitações estão a apreensão do passaporte e a adoção de monitoramento eletrônico. O requerimento foi encaminhado ao ministro André Mendonça e conta com assinaturas de deputados e senadores da oposição, que alegam risco de evasão do território nacional.

No mesmo dia, o advogado Jeffrey Chiquini apresentou um pedido separado solicitando a prisão preventiva de Lulinha. O argumento central é o suposto risco à aplicação da lei penal, considerando a saída do país em meio às investigações. O pedido cita dispositivos do Código de Processo Penal e solicita urgência na manifestação do Ministério Público.

Diante do aumento da pressão, o presidente Lula se manifestou publicamente. Em declarações recentes, afirmou que as investigações devem seguir com rigor e que não haverá exceções. “Se houver envolvimento de filho meu, ele também será investigado”, declarou, lembrando que parte do processo corre sob sigilo.

Com o ano eleitoral de 2026 se aproximando, a Operação “Sem Desconto” promete continuar no centro do debate público. O desfecho do caso, independentemente de qual seja, tende a ter impacto político relevante e a influenciar o clima nos próximos meses.
 

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