Eduardo Bolsonaro diz que Maduro está sendo mais bem tratado do que o pai

A divulgação de um vídeo nas redes sociais por Eduardo Bolsonaro voltou a colocar o ex-presidente Jair Bolsonaro no centro do debate político e jurídico do país. Autoexilado nos Estados Unidos desde a cassação de seu mandato, em dezembro, o ex-deputado comparou as condições de prisão do pai, em Brasília, às enfrentadas por Nicolás Maduro, atualmente detido em território norte-americano. A fala repercutiu rapidamente e reacendeu discussões sobre o tratamento dado a presos de alta visibilidade no Brasil.
No vídeo publicado na segunda-feira, dia 12, Eduardo afirma que Jair Bolsonaro estaria submetido a regras mais rígidas na Superintendência da Polícia Federal do que o líder venezuelano. Em tom crítico, sugeriu que, nos Estados Unidos, Maduro teria acesso mais rápido e amplo a atendimento médico, enquanto seu pai dependeria de decisões judiciais para situações básicas de saúde. A comparação dividiu opiniões e ganhou espaço tanto entre apoiadores quanto entre críticos da família Bolsonaro.
A polêmica se intensificou após a queda sofrida pelo ex-presidente dentro da cela, no último dia 6. Atendido por médicos da própria Polícia Federal, Bolsonaro recebeu diagnóstico de traumatismo craniano leve. Naquele momento, a transferência para um hospital foi negada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela execução da pena. A remoção só foi autorizada no dia seguinte, o que gerou críticas públicas de familiares e aliados políticos.
O episódio ultrapassou o campo político e chegou às entidades de classe. O Conselho Federal de Medicina chegou a abrir uma sindicância para apurar o atendimento prestado ao ex-presidente, diante da repercussão do caso. Pouco depois, a apuração foi anulada por decisão de Moraes, que também determinou que o presidente do CFM prestasse esclarecimentos à Polícia Federal. A medida reforçou o clima de tensão em torno do caso e ampliou o debate sobre limites institucionais e autonomia profissional.
Enquanto isso, a rotina de visitas ao ex-presidente seguiu conforme as regras estabelecidas pela Justiça. Na terça-feira, dia 13, Jair Bolsonaro recebeu o senador Flávio Bolsonaro, que permaneceu cerca de 30 minutos na Superintendência da PF, tempo previamente autorizado. Foi o primeiro encontro entre pai e filho desde o retorno de Flávio dos Estados Unidos, onde esteve nos últimos meses.
No mesmo dia, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também esteve no local, acompanhada da filha Letícia Firmo, de seu primeiro casamento, e de Laura, filha mais nova do casal. A visita ocorreu no início da manhã, sem declarações à imprensa. A presença da família reforçou a estratégia de demonstrar apoio público e proximidade em um momento considerado delicado.
Além das visitas, manifestações por escrito também marcaram a semana. O ex-vereador Carlos Bolsonaro divulgou uma carta enviada ao pai, na qual afirma que o processo não teria como objetivo apenas a aplicação da lei, mas sim uma tentativa de desgaste moral. O texto foi compartilhado nas redes sociais e repercutiu entre aliados, que enxergam no caso um símbolo de embate político prolongado.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, após condenação da Primeira Turma do STF por liderar uma organização criminosa envolvida em uma tentativa de golpe de Estado. Mesmo com o processo já encerrado do ponto de vista jurídico, o caso segue movimentando o noticiário e alimentando debates sobre justiça, política e os limites entre decisões técnicas e disputas públicas.



