Javier Milei não se cala e revela seu apoio para as eleições de 2026

A relação entre Javier Milei, presidente da Argentina, e a família Bolsonaro, especialmente o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, representa um dos eixos mais proeminentes da política de direita na América Latina contemporânea. Recentemente, em uma entrevista concedida à CNN em espanhol, Milei expressou sua preferência por uma “solução com os Bolsonaros” nas eleições presidenciais brasileiras de 2026, destacando sua amizade com a família e seu alinhamento ideológico contra o que ele chama de “socialismo do século 21”. Essa declaração não apenas reforça laços pessoais, mas também sinaliza uma possível aliança estratégica em um contexto regional polarizado, onde figuras liberais e conservadoras buscam contrapor governos de esquerda.
Javier Milei, economista e político libertário, ascendeu ao poder na Argentina em 2023 com uma campanha marcada por críticas veementes ao establishment político e promessas de reformas radicais, como a dolarização da economia e a redução drástica do Estado. Sua admiração por Bolsonaro remonta aos tempos de campanha, quando Milei frequentemente citava o ex-líder brasileiro como um exemplo de resistência ao progressismo e ao intervencionismo estatal. Essa afinidade ideológica se baseia em visões compartilhadas sobre liberdade econômica, redução de impostos e oposição a agendas globalistas, o que transformou Milei em uma espécie de herdeiro intelectual de Bolsonaro na região.
Por sua vez, Jair Bolsonaro, que governou o Brasil de 2019 a 2022, construiu sua carreira política sobre pilares conservadores, com ênfase em valores tradicionais, segurança pública e liberalismo econômico, embora com toques nacionalistas. Durante sua presidência, Bolsonaro enfrentou críticas internacionais por políticas ambientais e de direitos humanos, mas consolidou uma base fiel de apoiadores que veem nele um baluarte contra a esquerda. Sua família, incluindo filhos como Flávio e Eduardo, continua ativa na política, e a declaração de Milei veio em um momento em que especulações sobre uma candidatura bolsonarista em 2026 ganham força, especialmente após reações positivas dos próprios Bolsonaros nas redes sociais.
Os pontos de convergência entre Milei e Bolsonaro vão além da retórica: ambos defendem uma abordagem agressiva contra a corrupção, priorizam alianças com os Estados Unidos e Israel, e criticam abertamente líderes como Lula da Silva, atual presidente brasileiro, a quem associam a ideologias socialistas. Milei, em particular, tem usado sua plataforma para elogiar Bolsonaro como um “amigo” e um modelo de liderança, contrastando com as tensões iniciais entre Argentina e Brasil sob governos de orientações opostas. Essa sintonia ideológica reflete um movimento maior na direita latino-americana, que busca unir forças para combater o que perceives como uma onda progressista.
Interações pessoais entre Milei e os Bolsonaros têm sido frequentes e públicas, fortalecendo sua relação. Desde a eleição de Milei, houve encontros bilaterais e trocas de mensagens de apoio mútuo, inclusive durante visitas de Eduardo Bolsonaro à Argentina. Esses contatos não se limitam a formalidades diplomáticas; eles envolvem discussões sobre estratégias políticas e econômicas, como a promoção de acordos comerciais que favoreçam mercados livres. A amizade declarada por Milei na entrevista recente sublinha como esses laços transcendem fronteiras, criando uma rede de influência que pode impactar eleições futuras.
No contexto das relações bilaterais entre Argentina e Brasil, a proximidade entre Milei e Bolsonaro sugere um potencial realinhamento. Com Milei no poder, há esforços para superar divergências passadas, como disputas comerciais no Mercosul, em favor de uma cooperação mais alinhada ideologicamente. Se uma “solução com os Bolsonaros” se materializar em 2026, isso poderia pavimentar o caminho para uma parceria mais robusta, com foco em reformas liberais e oposição conjunta a blocos como o Foro de São Paulo. No entanto, Milei enfatizou que a decisão cabe aos brasileiros, mantendo um tom respeitoso à soberania nacional.
Olhando para o futuro, a relação entre Milei e Bolsonaro pode moldar o cenário político sul-americano, especialmente em um ano eleitoral como 2026. Com Milei projetando uma imagem de sucesso em suas reformas econômicas, seu endosso implícito aos Bolsonaros serve como um impulso para a direita brasileira, que busca recuperar terreno perdido. Essa dinâmica ilustra como amizades pessoais entre líderes podem influenciar agendas regionais, promovendo uma visão compartilhada de prosperidade baseada em liberdade e conservadorismo, em meio a desafios globais como inflação e polarização política.



