Aliados de Eduardo Bolsonaro retomam articulação nos EUA contra Moraes

O estado de saúde de Jair Bolsonaro voltou a ocupar espaço central no noticiário político brasileiro nas últimas semanas. Não apenas pelos boletins médicos, mas pelo efeito colateral que esses episódios têm provocado nos bastidores da política, especialmente fora do país. Enquanto o ex-presidente enfrenta novas complicações físicas, aliados retomaram articulações internacionais que pareciam adormecidas desde o fim do ano passado.
O movimento mais recente parte de nomes ligados ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo informações apuradas pelo R7, interlocutores do grupo voltaram a circular por ambientes políticos nos Estados Unidos com um objetivo claro: pressionar autoridades norte-americanas a reavaliar a retirada das sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
A ofensiva ocorre em meio a uma sequência de episódios médicos envolvendo Bolsonaro. Nas últimas semanas, ele passou por uma cirurgia de hérnia e precisou realizar procedimentos para conter crises persistentes de soluços, um quadro que, embora pouco comum, exigiu acompanhamento constante. Mais recentemente, o ex-presidente relatou uma queda dentro da cela onde está detido, o que resultou em novos exames e avaliações clínicas.
Esses acontecimentos, de acordo com aliados, aumentaram a insatisfação com decisões tomadas pelo STF, em especial pelo ministro Alexandre de Moraes. Um dos pontos mais criticados foi a autorização para que Bolsonaro fosse levado ao hospital apenas 24 horas após a queda. Além disso, Moraes solicitou à defesa informações detalhadas sobre o estado de saúde do ex-presidente e sobre os procedimentos necessários, o que foi interpretado por apoiadores como excesso de rigor.
É nesse contexto que a articulação internacional ganha força novamente. Nos Estados Unidos, aliados de Eduardo Bolsonaro avaliam que o cenário político pode abrir espaço para uma reviravolta. A expectativa é de que o ex-presidente Donald Trump, caso reassuma protagonismo nas decisões de política externa, reveja a retirada das sanções aplicadas com base na Lei Magnitsky.
Para esse grupo, a exclusão de Alexandre de Moraes da lista de sancionados teria sido um erro estratégico. Eles apostam que, diante das novas narrativas envolvendo o estado de saúde de Bolsonaro e decisões judiciais no Brasil, o tema possa voltar à mesa de discussão em Washington.
Vale lembrar que, em julho de 2025, o governo norte-americano incluiu Moraes na lista da Lei Magnitsky, instrumento utilizado para aplicar punições a autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos. Na ocasião, a esposa do ministro, Viviane Barsi, também foi incluída. As sanções impõem restrições financeiras severas e bloqueios comerciais, com impacto direto na vida econômica dos atingidos.
No entanto, em 12 de dezembro, os Estados Unidos retiraram tanto Moraes quanto sua esposa da lista, encerrando, ao menos temporariamente, as punições. Desde então, o tema parecia ter perdido força, até que os recentes episódios envolvendo Bolsonaro reacenderam o debate entre seus apoiadores.
Paralelamente às articulações externas, a defesa do ex-presidente segue atuando no campo jurídico interno. Advogados têm apresentado pedidos ao Supremo relacionados às condições de cumprimento da pena, incluindo solicitações para participação em programas que podem resultar em redução de tempo de prisão.
O cenário mostra que, mesmo afastado da vida pública e enfrentando problemas de saúde, Jair Bolsonaro continua no centro de disputas políticas que ultrapassam fronteiras. O desfecho dessas movimentações ainda é incerto, mas indica que o capítulo está longe de se encerrar.



