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Com troca no TSE, dura notícia chega para Lula envolvendo Maduro

A disputa política de olho em 2026 já começou nos bastidores, mesmo faltando mais de um ano e meio para as urnas serem abertas. E, como costuma acontecer no Brasil, o debate não se limita a propostas ou programas de governo. Estratégias, narrativas e velhas associações voltam ao centro da cena, agora com um ingrediente que ganhou novo peso no cenário internacional: a relação do presidente Lula com o venezuelano Nicolás Maduro.

Entre lideranças ligadas ao bolsonarismo, a avaliação é clara. Diferentemente da eleição de 2022, quando associações entre Lula e líderes autoritários foram barradas pela Justiça Eleitoral, a aposta para 2026 é usar esse vínculo como uma ferramenta de desgaste político. O cálculo passa, sobretudo, pela mudança no comando do Tribunal Superior Eleitoral. A expectativa, dentro do PL, é que a próxima composição da Corte adote uma postura menos restritiva sobre esse tipo de abordagem na propaganda eleitoral.

Esse otimismo se explica, em parte, pelos nomes que devem ocupar a presidência e a vice do TSE no período da campanha: os ministros Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados ao Supremo Tribunal Federal durante o governo Bolsonaro. Para aliados do ex-presidente, esse detalhe institucional abre espaço para uma leitura mais permissiva sobre o uso de comparações internacionais no debate político.

No campo partidário, o PL trabalha com a possibilidade de lançar Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto. Pesquisas internas indicariam que a associação entre Lula e Maduro gera impacto negativo entre eleitores indecisos e até mesmo em setores que apoiaram o petista em eleições anteriores. A recente prisão do líder venezuelano, segundo essa análise, teria potencial para intensificar rejeições e reacender críticas à política externa brasileira.

Ainda assim, há um certo pé no chão. Mesmo entre bolsonaristas, a avaliação é que temas internacionais dificilmente dominarão o debate eleitoral. A experiência recente mostra que assuntos mais próximos do cotidiano tendem a pesar mais. Segurança pública, inflação e, principalmente, o preço dos alimentos aparecem como as principais apostas para mobilizar o eleitorado em 2026. A Venezuela, nesse contexto, funcionaria mais como um reforço simbólico do que como eixo central da campanha.

Do outro lado, o Palácio do Planalto acompanha tudo com atenção. Lideranças petistas avaliam que insistir nesse tema pode acabar sendo um erro estratégico da oposição. O argumento é que a população demonstra cansaço de disputas ideológicas abstratas e reage mal quando percebe tentativas de criar crises externas que possam afetar o Brasil.

Aliados de Lula citam como exemplo recente a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, quando defendeu sanções ao país. Para o núcleo petista, aquela estratégia acabou se voltando contra o próprio bolsonarismo, ao gerar a percepção de que interesses nacionais estavam sendo colocados em segundo plano.

Há também a leitura de que Flávio Bolsonaro tende a adotar um discurso mais moderado. A avaliação interna é que exagerar no tom ou parecer torcer por conflitos internacionais pode afastar eleitores de centro, decisivos numa eleição apertada. Em política, dizem os mais experientes, nem todo ataque acerta o alvo. Às vezes, o efeito colateral pesa mais do que o golpe pretendido.

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