É revelado o número de mortos durante captura de Maduro

No domingo, 4 de janeiro de 2026, uma declaração vinda de Havana reacendeu o clima de tensão na América Latina. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, afirmou que 32 cidadãos cubanos morreram durante a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. A fala ocorreu poucas horas depois do anúncio oficial do governo cubano, que decretou dois dias de luto nacional, em 5 e 6 de janeiro, como forma de homenagear as vítimas.
Segundo a nota divulgada pelas autoridades cubanas, os mortos atuavam em missões de cooperação com órgãos de segurança venezuelanos, a pedido do próprio governo de Caracas. O comunicado usa um tom solene e ressalta que os cubanos estariam cumprindo funções ligadas à segurança e à defesa, quando foram surpreendidos pela ofensiva. Ainda não há informações sobre velórios ou cerimônias públicas, o que reforça o clima de expectativa e apreensão dentro da ilha.
Nas redes sociais, Díaz-Canel foi direto ao ponto. Em publicação feita no sábado, ele condenou a ação norte-americana e cobrou uma resposta da comunidade internacional. A mensagem, compartilhada milhares de vezes em poucas horas, fala em violação da paz regional e reforça um discurso histórico de enfrentamento entre Cuba e os Estados Unidos. O uso das redes, aliás, mostra como líderes políticos têm recorrido cada vez mais a essas plataformas para se posicionar em momentos de crise, algo que se tornou comum nos últimos anos.
Do outro lado, em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que a operação foi realizada na madrugada de 3 de janeiro e que teve como objetivo capturar Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, para que sejam julgados em Nova York. O anúncio foi feito na Truth Social, rede usada com frequência por Trump desde seu retorno à presidência. Ele afirmou que a missão durou pouco mais de duas horas e envolveu uma grande mobilização aérea e terrestre.
Autoridades militares norte-americanas disseram que não houve baixas entre as tropas dos EUA. Já sobre possíveis vítimas venezuelanas ou estrangeiras, como os cubanos citados por Havana, não houve confirmação oficial por parte de Washington. O governo venezuelano, por sua vez, afirmou que civis foram afetados, mas não apresentou números detalhados até o momento.
Além do impacto humano, a operação abriu uma série de questionamentos jurídicos e políticos. Especialistas em direito internacional lembram que ações militares em território estrangeiro costumam passar pelo Conselho de Segurança da ONU, o que não ocorreu neste caso. Dentro dos próprios Estados Unidos, parlamentares discutem se a operação deveria ter sido autorizada previamente pelo Congresso, como prevê a legislação do país. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não houve tempo hábil para essa comunicação.
No sábado à tarde, Trump afirmou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração da Venezuela até que uma transição fosse organizada. A declaração gerou reações imediatas em Caracas. A vice-presidente Delcy Rodríguez contestou a fala, reafirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo e classificou a ação como uma violação da soberania nacional. Ainda assim, disse que o país está aberto ao diálogo, desde que baseado no respeito ao direito internacional.
Enquanto governos trocam acusações e discursos firmes, a população da região acompanha os desdobramentos com preocupação. O episódio marca mais um capítulo delicado na já complexa relação entre Estados Unidos, Venezuela e seus aliados, e levanta dúvidas sobre os próximos passos políticos e diplomáticos no continente.



