Tarcísio critica Lula em vídeo sobre crise na Venezuela

A captura de Nicolás Maduro neste sábado, 3, pelas forças dos Estados Unidos, desencadeou reações imediatas no cenário político brasileiro. Entre elas, ganhou destaque a manifestação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que usou as redes sociais para criticar, de forma indireta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No vídeo divulgado, Tarcísio afirmou que a permanência de Maduro no poder ao longo dos últimos anos só foi possível graças à “conivência, omissão e até apoio explícito” de líderes que, segundo ele, insistiram em tratar um governante autoritário como aliado político.
Sem mencionar Lula nominalmente, o governador paulista exibiu imagens do presidente brasileiro ao lado de Maduro durante a visita do venezuelano ao Brasil, em 2023. A escolha das cenas não foi por acaso. Elas serviram como pano de fundo para uma fala mais emocional, voltada às consequências humanas da crise na Venezuela. “Enquanto isso, famílias cruzavam as fronteiras, crianças deixavam as escolas, perdiam a infância, pais vendiam tudo para recomeçar do zero”, afirmou Tarcísio, lembrando que muitos desses venezuelanos foram acolhidos em cidades brasileiras, inclusive em São Paulo.
Em um tom que mesclou crítica política e discurso de esperança, Tarcísio disse que a ação deste sábado abre uma nova possibilidade para o país vizinho. “Que 2026 comece agora e marque o início de um novo tempo para o povo venezuelano. Eleições livres, justas, paz e prosperidade”, declarou. Na mesma fala, o governador fez um aceno ao cenário político interno, sugerindo que o Brasil também pode passar por mudanças significativas até o fim do próximo ano.
Em outro trecho do pronunciamento, Tarcísio adotou palavras duras ao se referir a Maduro, chamando-o de “cruel e corrupto”. Segundo ele, regimes autoritários não se sustentam apenas pela força, mas pelo desgaste lento das instituições. “Uma ditadura não cai da noite para o dia. Ela corrói tudo por dentro, pouco a pouco, e quem paga o preço mais alto é sempre a população”, disse, reforçando a ideia de que os impactos vão muito além da política e atingem diretamente a vida das pessoas comuns.
Tarcísio foi um dos últimos governadores de oposição a Lula a se posicionar publicamente sobre o episódio. Mais cedo, outros chefes de Executivos estaduais já haviam comentado a captura de Maduro. O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), elogiou a decisão do presidente Donald Trump e afirmou que a iniciativa representou um passo importante para a libertação do povo venezuelano.
Em Goiás, Ronaldo Caiado (União) também celebrou as ações lideradas pelos Estados Unidos, classificando o dia 3 de janeiro como um marco histórico para a Venezuela, após mais de duas décadas sob um regime fechado. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), adotou um tom mais econômico, desejando que a queda de Maduro abra espaço para estabilidade, investimentos e integração com o mercado internacional.
As declarações mostram como o episódio ultrapassou as fronteiras venezuelanas e passou a influenciar diretamente o debate político no Brasil. Mais do que uma questão externa, a crise na Venezuela segue sendo usada como símbolo, argumento e termômetro ideológico em um cenário nacional cada vez mais polarizado.



