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Lula convoca o Itamaraty às pressas para tratar da crise na Venezuela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência para as 10h deste sábado, 3 de janeiro de 2026, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, em resposta às ações militares dos Estados Unidos na Venezuela. A medida visa avaliar os impactos diplomáticos e regionais da operação anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que incluiu ataques aéreos e a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa. Fontes do governo brasileiro indicam que a agenda é urgente, dada a proximidade geográfica e as relações históricas entre os dois países sul-americanos.

A ação dos EUA foi divulgada por Trump em uma postagem nas redes sociais na madrugada de hoje, onde ele afirmou que Maduro foi detido em uma operação especial para “restaurar a democracia” na Venezuela. Relatos de explosões em Caracas e outras cidades venezuelanas confirmam a intensidade da intervenção, que mobilizou forças aéreas e terrestres. A Venezuela, por sua vez, decretou estado de emergência nacional, com o vice-presidente assumindo interinamente e convocando a população para resistir ao que chamou de “invasão imperialista”.

Lula, que está de férias na Base de Marambaia, no Rio de Janeiro, participará da reunião de forma remota, segundo assessores próximos. Ele foi informado sobre os eventos ainda durante a noite e instruiu a equipe a preparar análises imediatas. A convocação inclui ministros chave, como o das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o da Defesa, José Múcio Monteiro, além de especialistas em inteligência e economia, para discutir cenários possíveis.

Os impactos para o Brasil são multifacetados, considerando os mais de 2 mil quilômetros de fronteira compartilhada com a Venezuela. Há preocupações com fluxos migratórios intensificados, segurança energética e comércio bilateral, que já sofrem com sanções internacionais. O governo brasileiro teme uma escalada de instabilidade na região amazônica, onde operações conjuntas de combate ao crime transfronteiriço poderiam ser afetadas.

Internacionalmente, a operação gerou reações imediatas de aliados da Venezuela, como Rússia e Irã, que condenaram veementemente os EUA por violarem a soberania nacional. O presidente russo Vladimir Putin classificou o ato como “agressão inaceitável”, prometendo apoio diplomático e militar se necessário. A União Europeia e a China pediram moderação, enquanto nações latino-americanas, como Cuba e Bolívia, expressaram solidariedade a Maduro.

No contexto brasileiro, analistas políticos apontam que a reunião pode resultar em uma posição oficial do Itamaraty, possivelmente apelando por diálogo multilateral via ONU ou Celac. Lula, conhecido por sua diplomacia ativa, deve equilibrar críticas à intervenção unilateral com a defesa de princípios como a não-intervenção, evitando alinhamentos automáticos que possam isolar o Brasil no cenário global.

Enquanto a situação evolui rapidamente, o Palácio do Planalto monitora de perto os desdobramentos, com atualizações esperadas após a reunião. A crise na Venezuela reforça debates sobre a estabilidade da América do Sul, e o Brasil, como potência regional, busca posicionar-se como mediador para evitar um conflito mais amplo.

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