Senador americano envia carta a Moraes após decisão sobre Bolsonaro

A política brasileira começou 2026 com mais um capítulo de repercussão internacional. Desta vez, o assunto ultrapassou fronteiras e chegou aos Estados Unidos. Um senador estadual americano, Shane David Jett, do estado de Oklahoma, decidiu se manifestar oficialmente sobre uma decisão do Supremo Tribunal Federal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O gesto chamou atenção não apenas pelo conteúdo, mas pelo simbolismo de um parlamentar estrangeiro dirigir uma carta diretamente a um ministro da mais alta Corte do Brasil.
Datado de 1º de janeiro de 2026, o documento foi enviado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes e, segundo o próprio senador, também encaminhado aos demais integrantes do STF. No texto, Jett questiona a negativa do pedido de prisão domiciliar humanitária feito pela defesa de Bolsonaro, após a alta hospitalar do ex-presidente, que acabou retornando ao regime fechado na Superintendência da Polícia Federal.
A argumentação do parlamentar americano segue uma linha jurídica bem definida. Ele menciona dispositivos da Constituição brasileira, trechos do Código de Processo Penal e decisões anteriores do próprio Supremo. Um dos principais pontos citados é a ADPF 347, julgamento no qual o STF reconheceu que o sistema prisional brasileiro vive um “estado de coisas inconstitucional”, marcado por problemas estruturais e dificuldades no acesso adequado à saúde.
Ao longo da carta, Jett destaca a condição de saúde de Bolsonaro. Ele menciona a idade avançada, o histórico médico e a recente internação hospitalar, defendendo que esses fatores deveriam ser considerados na análise do pedido de prisão domiciliar. Na visão do senador, a medida poderia permitir uma recuperação mais adequada, sem comprometer o andamento do processo judicial.
Outro trecho do documento aborda um tema sensível: a percepção de seletividade nas decisões judiciais. Jett afirma que, do ponto de vista de observadores internacionais, casos envolvendo determinadas figuras políticas acabam recebendo um tratamento mais rigoroso. Para ele, esse tipo de percepção pode afetar a imagem das instituições e o equilíbrio entre os Poderes, além de levantar debates sobre o princípio da igualdade perante a lei.
O tom da carta é firme, mas segue o formato de uma manifestação política e diplomática. O senador deixa claro que discorda da decisão e afirma ter a intenção de levar o caso ao conhecimento do Gabinete da Presidência dos Estados Unidos. Esse ponto, em especial, ampliou a repercussão do episódio, já que envolve, ainda que indiretamente, uma possível atenção internacional ao tema.
A divulgação pública da carta ocorreu por iniciativa do próprio Shane David Jett, que compartilhou o conteúdo em seu perfil na rede social X. Na publicação, ele reforçou as críticas ao entendimento adotado pelo ministro Alexandre de Moraes e defendeu que a decisão seja revista à luz de critérios humanitários.
No Brasil, a manifestação gerou reações diversas. Para alguns, trata-se de uma interferência indevida em assuntos internos. Para outros, é mais um sinal de que decisões judiciais de grande impacto político acabam sendo observadas além das fronteiras nacionais. Independentemente da leitura, o episódio mostra como o caso Bolsonaro continua no centro do debate público e como suas repercussões seguem influenciando discussões jurídicas, políticas e institucionais, agora também no cenário internacional.



