PGR recebe nova representação contra Moraes no caso Banco Master

O fim de dezembro trouxe mais um capítulo para a já intensa relação entre política, Justiça e imprensa no Brasil. A Procuradoria-Geral da República (PGR) passou a analisar uma nova representação que pede a apuração da conduta do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em um episódio envolvendo o Banco Master. O pedido foi apresentado no domingo, dia 28, pelo vereador Guilherme Kilter (Novo), de Curitiba, e agora está sob avaliação da equipe do procurador-geral Paulo Gonet.
O movimento chama atenção porque ocorre poucos dias após Gonet ter decidido arquivar uma solicitação de teor semelhante. Na ocasião, o pedido havia sido protocolado pelo advogado Enio Martins Murad. A decisão, publicada no sábado, dia 27, apontou ausência de elementos mínimos que justificassem a abertura de investigação. Segundo o procurador-geral, as suspeitas levantadas se apoiavam em conjecturas retiradas de reportagens jornalísticas, sem provas concretas capazes de sustentar acusações formais.
Mesmo com o arquivamento recente, o tema ganhou novo fôlego. A representação apresentada por Guilherme Kilter se soma a uma ofensiva política que avançou no Congresso Nacional. Na segunda-feira, dia 29, um grupo de parlamentares da oposição, liderado pelo deputado Cabo Gilberto (PL-PB), protocolou no Senado um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. O gesto reforça o clima de tensão que envolve o ministro, frequentemente citado em debates políticos e jurídicos nos últimos anos.
As iniciativas têm como pano de fundo reportagens publicadas pelos jornais O Globo e Estadão. As matérias revelaram contatos frequentes entre Alexandre de Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da situação do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. De acordo com os relatos, o ministro teria feito diversas ligações telefônicas e também participado de reuniões presenciais com Galípolo. Uma das reportagens destacou que, em um único dia, Moraes teria realizado múltiplos contatos sobre a tentativa de venda do banco ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação que acabou sendo barrada pelo Banco Central.
Para o vereador Guilherme Kilter, as informações divulgadas pela imprensa indicariam uma pressão considerada intensa sobre a autoridade monetária. Já no pedido anteriormente arquivado, o advogado Enio Murad argumentava que a interlocução poderia caracterizar tráfico de influência ou advocacia administrativa. Ele também citava um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que previa pagamentos mensais ao longo de três anos.
Ao analisar esses pontos, Paulo Gonet foi categórico ao afirmar que não identificou qualquer indício concreto de ilegalidade. Segundo ele, não houve elementos que comprovassem irregularidades na atuação de Alexandre de Moraes junto ao Banco Central, tampouco no contrato de prestação de serviços advocatícios mencionado. O procurador-geral ressaltou ainda que as reportagens não apresentaram dados objetivos capazes de sustentar a tese de intimidação ou interferência, além de esbarrarem nas limitações impostas pelo sigilo da fonte jornalística.
Na semana passada, Alexandre de Moraes se manifestou publicamente sobre o caso. O ministro afirmou que os encontros com Gabriel Galípolo tiveram como pauta exclusiva a Lei Magnitsky, sanção aplicada pelo governo dos Estados Unidos contra ele. A declaração buscou esclarecer o contexto das conversas e afastar interpretações que sugerissem outro tipo de motivação.
Enquanto a nova representação segue em análise na PGR e o pedido de impeachment aguarda os trâmites no Senado, o episódio evidencia como decisões judiciais, reportagens e movimentos políticos continuam entrelaçados. O desfecho ainda é incerto, mas o caso já se tornou mais um exemplo de como o debate público no país permanece atento e polarizado quando envolve figuras centrais das instituições.



