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Nesta manhã, médicos tentam conter a crise de soluço de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente internado no Hospital DF Star, em Brasília, passará por um novo procedimento médico nesta segunda-feira, 29 de dezembro de 2025, com o objetivo de aliviar as crises persistentes de soluço que o afligem há cerca de nove meses. A intervenção consiste no bloqueio anestésico do nervo frênico esquerdo, complementando o procedimento semelhante realizado no lado direito no último sábado, 27 de dezembro. Com essa medida, a equipe médica espera interromper definitivamente os espasmos involuntários do diafragma que causam os soluços intensos e prolongados.

O bloqueio do nervo frênico é uma técnica minimamente invasiva, realizada com anestesia local e guiada por ultrassom, na qual se aplica medicamento próximo ao nervo na região cervical para reduzir temporariamente sua atividade. Esse nervo é responsável por comandar os movimentos do diafragma, músculo essencial para a respiração, e sua irritação errática pode desencadear episódios de soluço incoercível, como os enfrentados por Bolsonaro. Especialistas explicam que o método é seguro, rápido – durando cerca de uma hora – e sem necessidade de cortes, sendo indicado especialmente em casos refratários a tratamentos medicamentosos convencionais.

A internação atual de Bolsonaro começou em 24 de dezembro, inicialmente para a correção de uma hérnia inguinal bilateral, realizada com sucesso no dia de Natal, 25 de dezembro. Essa foi a oitava cirurgia abdominal do ex-presidente desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora (MG), que deixou sequelas como aderências intestinais, refluxo gastroesofágico severo e irritação nervosa crônica. Embora a hérnia não tenha relação direta com os soluços, as complicações pós-atentado contribuem para o quadro atual, incluindo esofagite e dificuldades no trânsito intestinal que irritam o diafragma.

As crises de soluço se intensificaram nos últimos dias, com episódios prolongados que impediram o sono adequado e causaram exaustão, elevação da pressão arterial e abatimento geral. Apesar do bloqueio no lado direito realizado no sábado, Bolsonaro apresentou uma nova crise durante a madrugada de domingo, durando horas sem pausas, o que reforçou a necessidade da intervenção complementar no lado esquerdo. Boletins médicos indicam que o paciente está estável, sem soluços no momento, mas segue em observação pós-operatória, com fisioterapia respiratória, medidas preventivas contra trombose venosa e ajustes em medicações para refluxo.

Com o procedimento marcado para esta segunda-feira, a previsão é que Bolsonaro permaneça hospitalizado durante o feriado de Ano-Novo, priorizando a recuperação completa e a avaliação dos resultados do bloqueio bilateral. A alta hospitalar, inicialmente estimada para o início de 2026, dependerá da resposta ao tratamento, com monitoramento diário para evitar recidivas e garantir o conforto do paciente de 70 anos, que já enfrenta múltiplas complicações de saúde decorrentes do atentado de 2018.

Familiares têm acompanhado de perto a evolução do quadro, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sendo presença constante e utilizando as redes sociais para pedir orações e atualizar apoiadores. Ela descreveu os nove meses de soluços diários como uma “luta e angústia” intensa, destacando o impacto emocional e físico no marido. Outros filhos, como Carlos e Flávio Bolsonaro, também relataram detalhes da recuperação, enfatizando o apoio familiar em meio às restrições judiciais que cercam o ex-presidente.

Embora os episódios atuais lembrem internações anteriores relacionadas às sequelas do atentado – incluindo obstruções intestinais e outras cirurgias emergenciais –, a equipe médica liderada por especialistas como o cardiologista Brasil Ramos Caiado e o cirurgião Antonio Lucio Teixeira Birolini mantém otimismo. Eles afirmam que o quadro é controlável, sem riscos graves à vida, e que os procedimentos adotados representam a abordagem mais adequada para restaurar a qualidade de vida de Bolsonaro, permitindo um retorno gradual às atividades cotidianas nos próximos meses.

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